‘‘Empurrar o diabo daquele carro é a única mágoa que tenho dele’’
(De Itamar Franco, contando que ajudou a empurrar um carro enguiçado de FHC, na garagem do Planalto)

O Rei dos bingos
O paranaense Sérgio Buffara, amigo do ministro dos Esportes, Rafael Greca, foi sócio de Pelé num empreendimento no Rio de Janeiro, ‘‘Rei’’ – uma administradora de consórcios que operava com automóveis, eletrodomésticos e casas pré-fabricadas. Em março de 1990, um dos sócios do empreendimento, Carlos Alberto Pavoni, chegou a ser preso.
Se for mesmo criada a CPI dos Bingos, Pelé terá muito o que explicar sobre a legislação das máquinas eletrônicas de jogos. Foi ele quem apresentou a FHC, como ministro, a minuta daquele que viria a ser o decreto 2.574, de abril de 98, que ambos assinaram.

Esquema mineiro
Implora por vazamento um alentado dossiê sobre os esquemas armados pela agência SMP&B, de Belo Horizonte, na Fundacentro, fundação de segurança e medicina no trabalho vinculada ao Ministério do Trabalho.
Temendo consequências políticas, o ministro Francisco Dornelles abafou o escândalo. A agência é de Clésio Andrade, dirigente do PFL mineiro, presidente da Confederação Nacional dos Transportes e ligado ao deputado tucano Aécio Neves (MG) e ao ministro Pimenta da Veiga. O escândalo paralisou as ações de comunicação da Fundacentro.

Zenildo se levanta
É duro na queda o general Zenildo Lucena, ex-ministro do Exército de Itamar e FHC: ele pode ter alta ainda esta semana da Clínica São Vicente, do Rio, onde se encontra internado desde quando adoeceu, durante viagem à Europa em companhia da mulher. Lucena chegou a ser hospitalizado em Paris e, já no Brasil, permaneceu em coma induzido por duas semanas, recuperando-se de um quadro de septicemia provocado por uma bactéria oportunista – streptococus aurea – que lhe atacou os rins. Sua família está otimista com a recuperação.

Estranhos baianos
Algo de muito estranho anda ocorrendo na Bahia: pela primeira vez na história recente do Estado, uma grande obra de engenharia – o metrô de Salvador –, que deve levar uns dez anos para ser concluída e custará algo como US$ 5 bilhões, não foi ganha por uma empreiteira da terra.
A mineira Andrade Gutierrez e a paulista Camargo Corrêa dividem o bolo que só na primeira fase representará um faturamento de R$ 358 milhões.
A gigante italiana Impregilo até que chiou, mas foi desclassificada.

Cartões em cheque
Espera a improvável boa vontade do governo, para ir ao plenário, projeto do deputado Marcelo Teixeira (PMDB-CE) que obriga as administradoras de cartões de crédito (cartel de um pool de bancos) a pagar em no máximo 48 horas as vendas efetuadas no comércio, através de ‘‘dinheiro de plástico’’, exatamente como acontece em todo o mundo. Atualmente, os comerciantes são obrigados a esperar 30 dias para receber o dinheiro correspondente à vendas em cartões, obrigando-os a recorrer a eles mesmos – os bancos – para manter o capital de giro.

Gol de placa
A presença do presidente Fernando Henrique em Florença, ao lado de governantes de cinco dos sete mais ricos países do mundo, foi um golaço da diplomacia brasileira. Para que FHC fosse convidado à reunião, jogaram pesado os embaixadores em Roma, Paulo Tarso Flecha de Lima, o de Washington, Rubens Barbosa, e o de Londres, Sérgio Amaral, todos sob a batuta do chanceler Luiz Felipe Lampreia. No Planalto, agora, nem Malan tem a bola tão cheia quanto esse time.

Made in Italy
Tudo bem que Florença também é famosa por seus artefatos de couro. Mas precisava exibir aquela mala sem alça do Roberto Benigni?

Made in Argentina
São argentinos os veterinários que domingo mataram o dócil hipopótamo Tom, que há 18 anos alegrava a criançada do Zoo de Brasília. O coração do animal de 500 quilos não resistiu à overdose de anestésicos (três litros) aplicados pelos curepas, que pretendiam cerrar suas presas. A morte de Tom provocou uma comoção rara, na população brasiliense.

Declarou ou não?
Dirigente de uma das maiores estatais do Distrito Federal é dono de um aprazível apartamento à beira mar, com direito a praia privativa na exclusiva Miami Beach, Flórida, Estados Unidos. Resta saber se o funcionário público em questão declarou o imóvel ao Imposto de Renda.

Garotinho em campanha
No último sábado, em campanha disfarçada, o governador Anthony Garotinho (RJ) foi a Manaus para um ato no auditório da RBN, rede de televisão da Assembléia de Deus na Amazônia. Na hora do falatório, houve um burburinho que mais parecia ameaça de vaia ao governador Amazonino Mendes (AM), enquanto Garotinho era freneticamente aplaudido. Contrariado, Amazonino saiu antes do encerramento da cerimônia. Garotinho achou que o anfitrião foi descortês.

Aviso aos navegantes
Não é tão seguro como propagandeia o sistema de acesso à conta corrente do Banco do Brasil pela Internet, o chamado ‘‘bank on line’’. Que o diga Yamil Dutra, funcionário do conselho federal da OAB. Um ‘‘hacker’’ conseguiu obter sua senha de acesso no sistema eletrônico de consulta e, em poucos minutos, conseguiu surrupiar-lhe R$ 10 mil. Yamil entrou em contato com o BB, mas foi informado que ‘‘o sistema é infalível’’. Falível só mesmo o correntista que bota fé na propaganda do banco.

Bola cheia
O presidente de Furnas, Luiz Carlos dos Santos, disse que o ex-senador Roberto Campos jamais lhe fez qualquer pedido. Ainda abriu a guarda:
- Se pedir, eu atendo.

O PODER SEM PUDOR

Elegância té o fim
Empresário de sucesso, pai dedicado e político leal, o ex-deputado João Lira Filho, falecido há dias, era conhecido por outras peculiaridades, como o gosto pelo boa mesa, pela boa bebida e pela boa roupa.
Sempre andou impecável e perfumado. Político de sucesso, Lira era pai do ex-ministro Fernando Lira e do atual prefeito de Caruaru, João Neto, e liderava um grupo que está há 40 anos no poder.
Seu sepultamento, transmitido ao vivo por todas as emissoras de rádio e TV locais, registrou emocionadas demonstrações de afeto, mas nenhuma foi mais forte do que a de Bombinha, tipo folclórico que tinha adoração por ele. Na missa de corpo presente, ficou próximo do caixão vestindo a melhor roupa. Detido por seguranças, quando quis se aproximar da área reservada à família, teve o acesso liberado pelo prefeito, filho do falecido. Ao lado do corpo de Lira Filho, Bombinha tirou o lenço novo do bolso:
- Um homem do porte de Doutor João não pode ter mosca pousando nele depois de morto.
E pôs-se pastorear os insetos até a saída do corpo em direção ao cemitério.

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