‘‘Quem viver, verᒒ
(Do Papa João Paulo II ao aceitar convite de FHC para visitar o Brasil, e não sobre a recuperação da popularidade do interlocutor)


PT sob suspeita
No governo petista de Cristovam Buarque, a Fundação Hospitalar do Distrito Federal gastou cerca de US$ 4 milhões na compra sem licitação de gases medicinais à empresa White Martins, segundo documentação em poder desta coluna. O fornecimento do produto sem licitação, ao longo de nove meses, foi realizado a pretexto de ‘‘emergência’’ ou ‘‘calamidade pública’’, muito embora nada tenha ocorrido que configurasse isso. Suspeita-se também de superfaturamento.

Denúncia asfixiada
A denúncia sobre o relacionamento suspeito entre a White Martins e o governo petista do DF, em 96, foi formalizada pelo empresário João Batista Pereira Vinhosa, da Brasigás Oxigênio, na superintendência da Polícia Federal no DF e no gabinete do então governador Cristovam Buarque. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o ex-deputado Chico Vigilante (PT-DF), ‘‘paladinos da moralidade’’, também foram informados. Ninguém tomou qualquer providência e a denúncia resultou abafada.

Exportando dólares
A subcomissão permanente de Turismo da Câmara dos Deputados recebeu denúncia indicando que a BB Tur, empresa ligada ao Banco do Brasil, teria remetido milhões de dólares para as Ilhas Cayman.
A operação pode estar ligada aos US$ 8 milhões pelo aluguel do navio Ecstasy, com capacidade para 2.040 passageiros, onde a estatal promete realizar o ‘‘Réveillon do Milênio’’, no Caribe. A estatal quer levar brasileiros para o exterior, quando deveria estimular o turismo interno.

Dust to dust
Que fim levou Veronica Castiñeira? Anda sumida a desinibida paraguaia, que parecia ter uma bela carreira pela frente...

Salvo pelo gongo
Pimenta da Veiga teve sorte, quarta-feira passada.
A agenda cheia da Câmara dos Deputados impediu que o ministro das Comunicações fosse à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional explicar por que permitiu que a Hispasat, empresa espanhola, participasse de concorrência pública para exploração de satélite brasileiro. Junto com Élvio Álvares (Defesa) e Renato Guerreiro (Anatel), Pimenta vai à comissão na próxima quinta, 25.

Travessuras de menino
No acervo que os inimigos montam contra o governador Anthony Garotinho, três torpedos merecem destaque: negócios pouco ortodoxos na área da Secretaria de Habitação, fretamentos de jatinhos na Líder Táxi Aéreo e a, digamos, felicidade permanente em que vivem alguns de seus amigos do peito de Campos (RJ).

Um camarada reaça
O ex-comunista Raul Jungman, usuário contumaz dos jatinhos da FAB para Fernando de Noronha e Recife, apesar de ser ministro de Política Fundiária, passeava em Roma com o chefe. De lá chamou os sem-terra acampados na porta da fazenda de FH de ‘‘marginais’’.
Será que o PPS de Roberto Freire e de Ciro Gomes, partido ao qual Jungman é filiado, também têm a mesma opinião?

Prefeito repolho
Juraci Magalhães, prefeito de Fortaleza, desencontrou-se por completo. Não faz muito, nomeou o técnico Pedro Gurjão para fazer planos, planos e mais planos. E fez tantos planos que Juraci já desplaneja tudo e pensa em demiti-lo. Gurjão é competente, mas caiu na besteira de contrariar o sobrinho do prefeito, Jurandir – espécie de ‘‘o prefeito é titio, mas quem manda sou eu’’ – e logo entrou na lista dos bois a caminho do matadouro.
Os adversários dizem que o velho ‘‘anda mais enrolado do que repolho’’.

O verdadeiro Bug
Os técnicos não falam isso em voz alta, mas o ‘‘Bug do milênio’’ que tanto temem não é o da virada do milênio, quando os computadores mudam a data automaticamente e há o risco de o ano 2000 virar ano 1900.
O que mete medo é 3 de janeiro, o primeiro dia útil do novo século, quando bancos e serviços públicos em geral voltam ao normal, e não 31 de dezembro, que vai cair numa sexta. O ‘‘apagão telefônico’’ do Brasil, na mudança do sistema interurbano, não ocorreu na madrugada de sexta para sábado, quando começou, mas na segunda-feira seguinte.

Custou a aceitar
Foram fortes, sólidos e irrespondíveis os argumentos do editor Jorge Yunes, amigo-irmão de Celso Pitta, para convencer a rebelde Nicéia a voltar para o recesso sagrado do lar. A irrequieta primeira-dama vive uma nova fase em sua vida. Ecologicamente verde.

Ficção e realidade
A diferença entre a realidade e o discurso dos políticos encontra exemplo típico no posto de expedição de carteiras de identidade, na quadra 308 Sul, em Brasília, a dois passos da Esplanada dos Ministérios.
Dedicados funcionários, que se autodenominam ‘‘datilossauros’’, fazem milagre para fazer o serviço com velhas máquinas de escrever.
‘‘Bug do milênio’’, por lá, é pura ficção científica.

Revitalizar primeiro
Sergipe, até agora, foi o único Estado a debater seriamente a tal transposição do Rio São Francisco. Governo, parlamentares e setores da sociedade, como a Igreja, até admitem a idéia, mas advertem que é preciso antes revitalizar e desassorear o Velho Chico, que anda fraquinho, fraquinho. Tanto que já começam a aparecer mortos, na cidade de Penedo (AL), peixes típicos de água salgada.

Lalau a cabo
A crise chegou à Globosat do dr. Roberto Marinho.
No quadro de avisos dos funcionários, um alerta: tem gente surrupiando o conteúdo das bolsas e gavetas dos incautos. A ordem agora é trancar tudo e, se possível, não deixar a sala vazia um só instante.

O PODER SEM PUDOR

Campeões de audiência
O presidente americano George Bush acabara de discursar na Câmara dos Deputados, em Brasília, em 1990, onde se encontrava em visita oficial. O deputado Ricardo Fiúza comentou horrorizado com seu colega Luís Eduardo Magalhães:
– Que absurdo! Você viu o anacronismo da esquerda? Ninguém aplaudiu o discurso do Bush...
O filho de ACM observou:
– Você está enganado, Fiúza. Eles bateram sim, só que com as mãos abaixadas, discretamente...
– Se fosse Fidel, esses barbudos iriam até pular! – insistia Fiúza.
– Com Fidel, alguns desmaiariam – acrescentou Luís Eduardo.

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