Cláudio Humberto (De Brasília)
(A fazenda de FHC) simboliza a autoridade do povo.
(Do general Alberto Cardoso, sobre a presença do Exército para proteger a propriedade do presidente, em Buritis)
Caso pouco edificante do...
O diplomata brasileiro Jacques Guilbaud (neto de franceses) foi demitido do Itamaraty em 1980, após denunciar a compra superfaturada da sede da embaixada do Brasil em Lisboa, em 1977. Segundo a denúncia, o imóvel teria sido comprado pelo dobro do valor (US$ 2 milhões) e os beneficiados pela maracutaia teriam sido os generais João Figueiredo e Carlos Alberto da Fontoura, do SNI, e o diplomata Raul Fernando Leite Ribeiro. Guilbaud disse ter sido ameaçado de morte e é tratado como um desequilibrado. Três anos depois, caso esfriado, ele perdeu o emprego.
...diplomata que virou vigia
Agora, Guilbaud ganha a vida como vigia de hotel em Tours, na França, sobrevivendo graças à previdência francesa. Ele não recebe tostão do Itamaraty, nem da previdência brasileira. Comovido com o seu drama, o sociólogo francês Alain Tourraine escreveu ao pupilo FHC, ao ministro José Carlos Dias (Justiça) e ao secretário de Direitos Humanos. Foi inútil: nenhum dos três tomou qualquer iniciativa para amparar Guilbaud na condição de inativo. Esta semana ele encontrou em Paris o presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, que resolveu abraçar sua causa.
Roubando a cena
Em meio a tantas denúncias contra o governador Tasso Jereissatti, o novo prato da moda no Ceará é robalo com furtos do mar.
Air Force One
Chique, o professor FHC, presidente deste rico país chamado Brasil.
Voou até Lisboa no Sucatão, o venerando 707 da FAB, e lá embarcou no 737-200 até Roma. Nenhum outro presidente brasileiro usou esquema tão caro e tão meticuloso para nada.
O calote da Fenaseg
Pode chegar a R$ 800 milhões o calote que a Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado aplicou no País, em 1998. A lei manda a Fenaseg repassar ao governo 50% da arrecadação do DPVAT (seguro obrigatório de veículos) para financiar programas de prevenção do Ministério da Saúde e de educação no trânsito. A arrecadação, antes estimada em R$ 1,06 bilhão, pode ter chegado a R$ 1,6 bilhão.
O presidente da Fenaseg, João Elísio Ferraz de Campos, corre o risco de ser criminalmente responsabilizado pelo Ministério Público Federal.
Lutando pela vida
Espetáculo no lobby do Hotel Maksoud Plaza, dias atrás.
A louríssima Carola Oliveira, ex-Chiquinho Scarpa, aos berros, interpelou um, digamos, amigo, na base do não-foi-isso-o-que-nós-acertamos.
Amedrontado, o mão-de-vaca preferiu evitar o escândalo.
Família de sorte
Ainda bem que roubaram o velho Gol 93 de FHC.
Prejuízo maior seria o roubo da antiga Mercedes ou da novíssima BMW de PHC, o primeiro-filho.
Droga de secretaria
O narcotráfico assusta FHC e o País está alarmado com o problema, mas a Secretaria Nacional Antidrogas, da Presidência da República, continua patinando na personalidade centralizadora e dispersiva do secretário, o juiz Walter Maierovich. Ele não se relaciona bem com a Polícia Federal (que o ridiculariza, à boca miúda) e ainda cria problemas com países aliados na luta contra os narcotraficantes.
Maierovich chegou a exigir da embaixada dos EUA obediência do célebre DEA às suas confusas diretrizes, o que resultou num vexatório protesto do Departamento de Estado americano, abafado no Itamaraty.
Revendo Chalaça
Em Roma, foi carregado de emoção o reencontro entre FHC e o embaixador Júlio César Gomes dos Santos. Queimado no escândalo do Sivam, Júlio César ganhou a representação na FAO como prêmio pelos serviços ao chefe. Discreto, competente, fidelíssimo, uma manteiga para o amo e um carrasco para os outros, ele sabia como ninguém agradar e entreter o presidente nos seus momentos de lazer e descontração.
A forra dos achacados
O procurador federal Celso Antônio Três, do Paraná, deve concluir em poucos meses a devassa no padrão de vida de cerca de 300 patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal, naquele Estado, suspeitos de achacar caminhoneiros, sacoleiros e motoristas em geral.
Ele já denunciou vários policiais corruptos, inclusive da Polícia Civil, que, a pretexto de fiscalizar armas e drogas (nunca apreendidas), cobram pedágio dos sacoleiros que retornam de Ciudad del Este, no Paraguai.
Brava gente
Descansa em paz Plínio Marcos, um bravo combatente pela liberdade de expressão; um talento afiado, uma navalha na carne dos poderosos e dos intelectuais de salão, a quem nunca bajulou em busca de prestígio e dinheiro.
Situação vexatória
O juiz federal César Antônio Barros, de Brasília, negou que tenha favorecido a espanhola Hispasat S/A, ao negar liminar do PCdoB suspendendo a licitação para a exploração de satélite brasileiro. Aldo Rebelo, líder do partido, desafiou o juiz a abrir mão do sigilo bancário.
Barros ofereceu explicações ao corregedor do Tribunal Regional Federal, Tourinho Neto, e disse que a quebra do seu sigilo só evidenciaria ainda mais a situação vexatória por que passa o Judiciário (...), levando-se em conta os baixos vencimentos a que estamos sujeitos, como todos sabem, e o saldo devedor crescente que se enfrenta em silêncio.
Inimigo do Mercosul
Quando chegar em Buenos Aires, dia 10 de dezembro, acompanhando FHC, o chanceler Luiz Felipe Lampreia poderá ser a estrela da festa da posse de Fernando de la Rúa. É que Lampreia é o único ponto em comum entre o novo presidente dos argentinos e o sainte Carlos Menem.
Ambos o detestam.
O PODER SEM PUDOR
O senador falante
Pedro Simon estava em campanha no Rio Grande do Sul, nos anos 70, quando foi abordado por um jovem com gravador à mão, ao descer do palanque em São Pedro do Sul.
Acessível à imprensa, Simon é particularmente prolixo e não parou de falar sobre as propostas que pretendia defender no Senado, pelo MDB.
Falou mais de meia hora e o rapaz, ali, só segurando o gravador. Ao concluir seu discurso, Simon ficou curioso com aquele raro repórter que não o interrompeu em momento algum:
- Para qual emissora você trabalha, meu jovem?
- Sou repórter não, senhor. É que coleciono vozes de pessoas famosas...
Simon aprendeu a lição: desde então, ao ser abordado por jornalistas que não conhece, ele procura saber antes para quem estará falando.





