‘‘Depois da Cortina de Ferro, chegou a vez da Cortina de Ouro’’
(De Cristovam Buarque, presidenciável do PT, definindo o fosso cada vez maior entre países ricos e países pobres)


Devassa na Rodoviária
O procurador federal Celso Antônio Três, do Paraná, não ficou surpreso com a pesquisa, aqui revelada, apontando o achaque da Polícia Rodoviária Federal como a principal queixa dos caminhoneiros.
Baseado no oeste paranaense, onde trouxe à luz a bilionária lavagem de dinheiro através das contas CC5, Celso Três investiga o enriquecimento ilícito de cerca de trezentos patrulheiros federais que atuam entre Foz do Iguaçu e Guarapuava, na BR-277, e já localizou vários ‘‘gênios das finanças’’, como o patrulheiro com R$ 17 mil de renda bruta anual que reuniu ‘‘poupança’’ suficiente à aquisição de bens no valor de R$ 150 mil.

Doutor Laudo
E Badan Palhares, hein?
Está precisando de um laudo que ateste o seu perfeito estado de saúde.

Reforma de araque
Além de haver aplicado até agora, em 1999, apenas um terço dos recursos do seu orçamento para reforma agrária, o Ministério de Política Fundiária não tirou do papel vários programas importantes.
Segundo comprovante, o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), em poder desta coluna, à 0h10 desta quinta, a 43 dias do final do ano, o governo não havia gasto um só centavo no Programa de Apoio aos Projetos de Reforma Agrária e Colonização na Região do Entorno do Distrito Federal, região socialmente conflagrada, ao qual foram destinados míseros R$ 100 mil.

Professor Raimundo
A aula de erudição exibida por FHC em Roma, soprada por um guia do museu da Villa Borghese, foi bonita mas patinou em campo minado.
- A origem da palavra nepotismo vem de nepoti - o legado dos Papas aos parentes, explicou o presidente.
Quem diria, já temos um Papa brasileiro...

Viva Zapata
E por falar em professor Raimundo, para quem no final dos anos 50 promovia leituras de Karl Marx com seu grupo seleto de intelectuais, virar fazendeiro e ainda usar terno branco é demais até para um neoliberal.

STJ se trumbica
A secretaria do Superior Tribunal de Justiça pagou R$ 4.800 a um Instituto Brasiliense de Dinâmica de Grupo para submeter servidores seus ao curso ‘‘Melhorando nossa comunicação’’.
Nem usando as mais modernas técnicas de comunicação o STJ consegue explicar a construção de sua sede, a maior e mais faraônica entre todos os tribunais superiores de Brasília.

Vale-tudo pefelista
Para salvar o correligionário em apuros, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), foi capaz até de assumir uma mentirinha, durante o depoimento do ministro Rafael Greca:
- A denúncia contra o ministro foi feita por carta anônima.
Esta coluna revelou a indignada carta de um funcionário do Indesp, que inclusive a assinou. E, afinal, a denúncia agora é do próprio Ministério Público, que resolveu processar Greca por improbidade administrativa.

Aqui, não
Um problema sobre a mesa de FHC que o vice Marco Maciel nem quis mexer: o imortal Roberto Campos, estatizado com um emprego no BNDES, agora tenta alojar um parente numa das diretorias de Furnas.
Luiz Carlos Santos, presidente da estatal, não quer atender o pedido.

Favela de pedra
Já tem nome a extravagante idéia do governador do Rio, Anthony Garotinho, de construir um conjunto de prédios morro acima, substituindo a favela Dona Marta, na zona sul da cidade: Playmobil.

Embalos da madrugada
Na quarta 17, enquanto o chefe, ministro Raul Jungman, viajava ao exterior e o MST ameaçava invadir a fazenda de FHC, um assessor do Ministério da Política Fundiária, Flávio Gomes de Almeida, infernizava a vida dos vizinhos, na QI 11 do Lago Norte (conjunto 1), em Brasília, com mais uma de suas barulhentas festas. Não se sabe o que comemoravam, mas a farra só acabou às 3 horas da madrugada com a chegada da polícia.
Um vizinho insone agora ameaça gravar as conversas que passam pelos muros, sobre membros do governo. Aí sim, será uma festa do barulho.

A dama global
A piadinha da moda em Fortaleza lembra que Getúlio Vargas se dirigia ao povo com um ‘‘trabalhadores do Brasil’’; Sarney usava ‘‘brasileiras e brasileiros’’; Collor, ‘‘minha gente’’.
Pois já dizem que, se eleito for, Ciro Gomes terá também seu vocativo:
- Meus patrícios e minhas patrícias!...

Quem planta, colhe
Alvos preferenciais de notícias negativas, que atribuem ao comandante Rolim Amaro, presidente da TAM, alguns executivos de empresas aéreas saborearam num restaurante de São Paulo o novo acidente da empresa, ocorrido nesta quinta, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Irônicos, diziam que Rolim perde mais tempo plantando notas contra eles do que cuidando da manutenção de seus jatos e do treinamento de seu pessoal.

PM desmoralizada
A operação do Batalhão da Guarda Presidencial, deflagrada nesta sexta para proteger a fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, representa na prática uma intervenção federal em Minas Gerais.
A tradicional PM mineira não soube cumprir sua própria missão, nerm quando assistiu – inerte – o MST saquear um caminhão de adubos.

Franco atirador
Líder do governo na Assembléia Legislativa sul-mato-grossense, o deputado Laerte Tetila (PT), estava com ‘‘a macaca’’ esta semana.
Atirou para todos os lados e até acertou o governador paranaense Jaime Lerner (PFL): ‘‘Manda matar gente como se mata formiga’’, disse, referindo-se aos conflitos no campo. O pefelista Zé Teixeira, pecuarista dos grandes, não gostou e logo defendeu o seu companheiro de partido.

O PODER SEM PUDOR

Distante é melhor
Durante a campanha para a eleição presidencial de 1960, um deputado correligionário do marechal Henrique Teixeira Lott conversava com Victorino Freire:
- Victorino, há perigo de o Jânio Quadros vencer no Maranhão?
A velha raposa pensou um pouco e respondeu:
- Perigo existe, sim. Basta o Lott voltar uma ou duas vezes ao Maranhão.
O conselho foi seguido e o Maranhão acabou sendo o único Estado onde Jânio não superou o marechal Lott.

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