‘‘Não foi nem rebelião, mas um ato para chamar atenção’’
(Do governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira, nesta quinta, ao ser recebido a bala pelos detentos de um ‘‘presídio modelo’’, em companhia do ministro da Justiça)

História explosiva
A história teria acontecido no final do governo João Figueiredo e circula no Congresso como rastilho de pólvora. Cerca de 15 bicheiros do Rio, chefes do mais genuíno crime organizado, reuniam-se alegremente na sala vip da Varig, no Galeão. Entre os presentes, todo-sorrisos, a autoridade federal facilitava o embarque do grupo, assim como agilizaria os procedimentos do desembarque, no retorno. Os bicheiros seguiram para Atlantic City, onde visitariam cassinos e fariam compra de máquinas de jogos, dessas que hoje fazem a festa da máfia da jogatina, no Brasil.
A história pode parar na CPI que investiga o crime organizado e onde atua, com destaque, um deputado que é filho daquela autoridade – que então dirigia a Polícia Federal e hoje é senador: Romeu Tuma (PFL-SP).

Pretexto risível
Se tivesse aceitado a proposta da Helibrás, em recente concorrência, a Polícia Rodoviária Federal teria pago R$ 10.458.871,75 pelos cinco helicópteros Esquilo B2 que lhe foram oferecidos. Havia propostas mais baratas e a Polícia Rodoviária recusou a oferta. Os mesmos helicópteros foram comprados – sem licitação – pelo governo paulista 45% mais caros (R$ 15.147.486,40). Mário Covas autorizou a dispensa de licitação sob um argumento pífio: ‘‘padronização da frota’’. A tal frota na verdade é formada por outros cinco velhos helicópteros do mesmo tipo.

Um corpo que cai...
Mário Covas vem trabalhando pacientemente na erosão de sua própria biografia. Jovem janista, afastou-se do seu líder e, ao lado de Pedro Horta, comandou com brilho, no Parlamento, a oposição ao regime de 64.
Cassado pelo AI-5, voltou à Câmara em 82 com um caminhão de votos. Foi o senador mais votado da história. Governador apagado, reelegeu-se com dificuldade, amparado na rejeição do contendor Paulo Maluf.

...Em triste réquiem
Irritado com a revelação de suspeitos entendimentos com as empresas que compraram a estatal Eletropaulo, Mário Covas telefonou nesta terça ao jornalista Sebastião Nery: ‘‘Você pode falar de mim o que quiser, mas não vai falar do Zuzinha (seu filho), nem do Geraldinho’’ (o vice José Geraldo Alkimin, seu candidato à Prefeitura de São Paulo). E ameaçou:
- A próxima vez que você falar no Zuzinha e no Geraldinho, arrebento você, acabo com você.

Lenta fritura
O ex-governador do Rio, Moreira Franco, atual assessor de quarto escalão no Palácio do Planalto, está puxando lentamente o tapete do secretário de Políticas Urbanas, o goiano Ovídio de Angelis.
Se não ficar atento, quando menos esperar, o protegido do senador Íris Rezende (PMDB-GO) encontrará o próprio Moreira na sua cadeira.

Poder nos tribunais
Aumenta a cada dia o lobby do vice-presidente Marco Maciel junto aos juízes do Tribunal Federal da 5ª região, com sede no Recife.
Ele quer incluir a sua ex-chefe de gabinete, Margarida Cantarelli, na lista tríplice que será enviada na próxima semana a FHC, para preenchimento de uma vaga de juiz naquele tribunal. Se ela for incluída na lista tríplice, o vice-presidente garantirá a nomeação no Palácio do Planalto.
O novo juiz do TRF vai ocupar a vaga do hoje Ministro do STJ, Francisco Falcão, aquele acusado pela ex-mulher de maus tratos aos filhos.

Cena recorrente
Cenas de terror no vôo 953 da TAM, na sexta-feira, entre Brasília e São Paulo. Uma das turbinas do Fokker 100 incendiou-se e o avião pendeu para um dos lados, retornando ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek. Uma imensa operação foi montada pelos bombeiros e dezenas de passageiros, aterrorizados, desistiram de prosseguir a viagem em outra aeronave da empresa.

Alô, alô, marciano
O ex-senador Valdon Varjão, pefelista de Mato Grosso, hoje é vereador na pacata cidade de Barra do Garças. Notabilizou-se por ter sido o primeiro negro no Senado da República, bem antes de Benedita da Silva.
Fazendeiro rico e dono de cartório, Varjão está construindo do bolso o primeiro ‘‘discoporto’’ do Brasil. Ele acredita que os ETs chegarão no interior do seu Estado na virada do milênio e quer recebê-los com uma saborosa peixada, pinga de alambique e num terminal apropriado.

Escolha foi de FH
A nomeação do novo presidente da Companhia Docas do Pará, Rogério Barzellay, não foi obra do senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), cuja bola não anda lá muito cheia para as bandas do Palácio do Planalto.
A escolha foi do próprio presidente Fernando Henrique, impressionado com o relato do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, sobre as maracutaias na CDP, nas mãos de gente do governador Almir Gabriel.

Mafioso no xilindró
A Polícia Federal do Ceará prendeu o colombiano Joaquim Hernandez Castilla Jimenez, de 35 anos. Ele mora no Brasil há seis anos e estava há quatro meses hospedado num hotel 5 estrelas da Avenida Beira-Mar, em Fortaleza. A PF suspeitava do seu envolvimento com a quadrilha de Hildebrando Pascoal, mas concluiu que ele lavou milhões de dólares do narcotráfico, para a máfia italiana, comprando imóveis. Há brasileiros graúdos envolvidos. Seu depoimento na PF está sob sigilo.

Há outros craques
A Standard, Ogilvy & Mather informou ontem que o briefing para o comercial ‘‘Pero Vaz de Caminha’’, finalista do Prêmio Colunistas, partiu da direção de Marketing dos Correios e foi ‘‘trabalhado criativamente’’ pela agência.
Segundo Antoninho Rossini, da Standard, e ao contrário do que informou a Secretaria de Comunicação do Planalto, Alex Perisinotto apenas ‘‘avalizou a proposta e deu todo o apoio à idéia’’.

O PODER SEM PUDOR

O louco e o leite
Em audiência com o governador de Alagoas, Silvestre Péricles, o representante dos produtores pediu aumento no preço do litro de leite. Silvestre, que era doido de pedra, reagiu com uma tranquila sugestão:
- Faça o seguinte: volte aqui amanhã cedo, acompanhado de mais uns vinte colegas seus, para que o pleito tenha maior representatividade.
Às 7 horas da manhã seguinte, lá estavam duas dezenas de produtores de leite à espera do governador. A porta do gabinete se abriu de repente e Silvestre irrompeu aos gritos, ainda vestindo pijamas:
- Mãe! Mãe! - ele chamava a matriarca da família Góis Monteiro, Dona Fulana, com quem tinha uma relação edipiana. Ela atendeu, assustada.
- Chamei a senhora para ver estes ladrões. Nunca se viu tantos juntos!
Foi até sua mesa, retirou um revólver da gaveta e bradou:
- Quer saber de uma coisa, mãe? Vou matar esses ladrões!
A velha senhora levou as mãos à cabeça e os apavorados produtores saíram em disparada. E nunca mais se falou em aumento de preços.

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