Cláudio Humberto (De Brasília)
Tenho um projeto, enquanto partido, de governar esse País
(Do deputado Jair Meneghelli quem se lembra? de atuação apagada na Câmara, atropelando a gramática e sonhando alto)
Zuzinha, obrigado
Os mesmos helicópteros que a Helibrás vendeu sem licitação por R$ 3.029.497,20 (cada) ao governo de São Paulo, foram oferecidos ao Departamento de Polícia Rodoviária Federal, em recente licitação, por R$ 2.091.774,35 preço 45% ou R$ 1 milhão mais baixo, por unidade, segundo documentos a que esta coluna teve acesso.
Não se pode alegar a variação cambial, como pretexto para aumentar os preços, porque afinal a fabricação é genuinamente brasileira.
Caros pássaros
Os helicópteros comprados pelo governo Mário Covas são exatamente os mesmos oferecidos pela Helibrás à Polícia Rodoviária Federal: os de referências S/N 3079 e 3123, com prefixos PP-EOV e PP-EOW, já constam do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB). Os demais, referências S/N 3135, 3113 e 3104, prefixos PP-EOY, PP-EOZ e PP-EOX respectivamente, estão em processo de registro.
Pura nitroglicerina
O ministro Eliseu Padilha está rindo à toa: recebeu do alto comando malufista um nutrido dossiê sobre a passagem do deputado Alberto Goldman (SP) pelo Ministério dos Transportes. Goldman, que batia forte em Padilha, agora bate em retirada, mas o ministro diz que vai investigar sua gestão. Quem leu o dossiê inclusive no Planalto passou a achar que Padilha é um santo, se comparado ao tucano paulista.
Brigadeiro de luxo
O brigadeiro Walter Werner Brõuer, comandante da FAB, tido como militar profissional e sério, soube e não gostou: em seu recente giro pelos Estados Unidos, o brigadeiro Marcos Antônio Oliveira, diretor-geral do DAC, teria contado com fabulosa infra-estrutura de viagem, com direito a hotéis de luxo e limusines, sob os auspícios de uma empresa aérea.
Eduardo Gomes, padrão de decência para a FAB, deve ter-se remexido na tumba. Oliveira era homem-chave do Sivam.
A dor que não cessa
A vendedora da grife francesa Façonable sempre se emociona quando conta a história a cada cliente brasileiro que atende no endereço chique da 5ª Avenida, em Nova York: há algumas semanas, um homem de cabelos brancos entrou na sua loja, abriu a carteira de cédulas e, com cuidado, dela retirou uma fotografia. Com voz embargada, balbuciou:
- É meu filho. Ele gostava muito desta loja. Era a senhora que o atendia?
O homem de cabelos brancos era ACM, presidente do Senado do Brasil, revisitando os lugares favoritos do filho Luiz Eduardo, em Nova York.
Sentando macio
Certamente zelando pelo princípio da economicidade dos gastos públicos, nesta quarta o Tribunal de Contas da União torrou R$ 1.742,06 adquirindo à Giroflex S/A uma confortável poltrona de couro e espaldar alto, segundo comprovante em poder desta coluna.
O mimo objetiva tornar mais confortável a extenuante jornada de trabalho do ministro Adhemar Ghisi.
Infraero, a armação
O edital da concorrência nº 01/99 da Infraero, que favoreceu a vitória de uma empresa de Brasília, fez exigências que tornaram a CTIS Informática campeã em pontuação. Exigiu, por exemplo, a apresentação da lista de 127 funcionários que irão cuidar dos serviços-objeto da concorrência, dez dias após os resultados. Só a CTIS poderia atender essa condição até porque já presta serviços à estatal. O edital exigia também que o concorrente comercializasse produtos Oracle, fabricante de software, muito embora isso não seja necessário à prestação dos serviços licitados. A CTIS mera coincidência! vende produtos Oracle.
Cabeça na bandeja
A cúpula do PMDB está convencida de que ACM resolveu oferecer a cabeça do senador Luiz Estevão (DF), sem descartar nem mesmo a cassação do seu mandato, porque teme que seja considerado pífio o resultado da CPI do Judiciário, por ele proposta.
A direção do partido está na expectativa de que o relatório do senador Paulo Souto (PFL-BA), que é do grupo de ACM, incrimine Estevão.
Fiscal de Deus
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, William Cohen, visita o Brasil por um dia, amanhã, oficialmente para discutir assuntos de cooperação militar. Fará barba, cabelo e bigode, ao ser recebido por FHC, pelos ministros da Defesa e das Relações Exteriores e até, curiosamente, por ACM. E ainda vai dar coletiva às 15 horas, na embaixada americana. Os selvagens jornalistas nativos devem chegar ao local quinze minutos antes, para passar pela revista da segurança americana.
Periscinotto, o craque
Ele não precisava provar mais nada no ofício em que é mestre, mas aceitou o desafio do secretário de Comunicação, Andrea Matarazzo, e foi cuidar da chamada comunicação institucional do governo.
Pela primeira vez na história, entre 5 mil concorrentes, o governo federal foi finalista do Prêmio Colunistas, Oscar da propaganda brasileira.
O belo comercial A Carta de Pero Vaz de Caminha, concebido e coordenado por Alex Periscinotto para os Correios, contou com a mão competente de Camila Franco e da equipe da Standard Propaganda.
Meu garoto
Desaparecem os sorrisos de satisfação do embaixador Flávio Perri e dos servidores do consulado-geral do Brasil em Nova York.
O diretor do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Amaury Temporal, confirmou a instalação de um estratégico escritório-piloto de negócios na Big Apple, sob o patrocínio da CNI, mas negou que esteja contratando funcionários. O que devolve o garotão afilhado de Perri à mesa do padrinho, no consulado.
Gente do ramo
A nova programação da Rede TV!, no ar no próximo dia 15, marca o retorno de Alberico Sousa Cruz ao batente, na direção de Jornalismo.
Mesmo quando exerceu função idêntica na Rede Globo, e apesar dos múltiplos compromissos, Alberico nunca deixou de ser o que sempre foi: um repórter atento, competente, obcecado pela notícia.
O PODER SEM PUDOR
Ganha quem perde
Dono de um dos melhores e mais valentes textos da imprensa brasileira, mestre Sebastião Nery é também respeitável apreciador de vinhos.
A explicação, que ele revelou ao jornalista Dário Macedo, remonta ao período em que foi seminarista. Na época, os melhores jogadores de damas do Seminário eram convidados para desafios na residência do arcebispo, nas manhãs de domingo. Os seminaristas adoravam o programa, que dava direito a saborosos vinhos servidos no almoço.
Nery cometeu o erro de derrotar o arcebispo duas vezes seguidas, aborrecendo o contendor, que se recolheu antes da refeição. O padre secretário deu a dica: Sempre que você vencer, não tem almoço.
Após seis meses sem ser escalado, ele perdeu do arcebispo, na revanche. Desde então teve prazer de ser sempre derrotado:
- Sou eternamente grato à Igreja por ter aprendido a beber vinho.





