Cláudio Humberto (De Brasília)
O Brasil virou uma Gothan City
(Do presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, sobre a violência no País)
Prêmios de campanha
Vai parar na Justiça a concorrência das agências de propaganda do governo Esperidião Amin (PPB), pelas mãos do advogado Amauri Ferreira, ex-presidente da OAB catarinense. É mesmo um escândalo.
Conforme esta coluna revelou, as três vencedoras foram a Propague, velha amiga do governador; a Artplan Prime, da família do senador Jorge Bornhausen (PFL); e a Carlos Paulo, dona da conta da Prefeitura de Florianópolis, cuja titular é a esposa de Amin.
As três participaram da campanha da chapa Amin/Bornhausen, em 98.
João, o sinistro
O presidente da Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado (Fenaseg), João Elísio Ferraz de Campos, pode definir sua situação, após tantos serviços prestados ao tucanato, com única palavra: sinistro.
Como se sabe, é assim que as seguradoras definem o prejuízo de serem obrigadas a pagar o prêmio de um cliente.
Falar em João Elísio junto a quem importa é hoje, definitivamente, algo sinistro. FHC, por exemplo, já não esconde que ele está queimado.
O nome da frigideira
O sinistro da Saúde, José Serra, tem tudo a ver com a queimação do presidente da Fenaseg no Palácio do Planalto.
Choro de ministro
Na reunião de ministros da Agricultura de três dezenas de países, organizada em Salvador, o representante do Brasil, Pratini de Morais, organizou uma noitada de chorinho expressão musical pela qual é apaixonado na sua suíte do Hotel Othon.
No melhor da festa, alguém bateu à porta. Com 2 metros de altura, porte de jogador de basquete e cara de poucos amigos, queixou-se do barulho em inglês: Não consigo dormir.
Era o ministro da Agricultura de Barbados, que acabou entrando na roda e nela ficou toda a madrugada.
Condenado, mas livre
O prefeito de Formosa (GO), cidade próxima a Brasília, foi condenado por homicídio, com decisão transitada em julgado, e em consequência da perda dos direitos políticos deveria ser afastado do cargo. Mas a decisão do Supremo Tribunal Federal (acórdão, com ementa) ainda não foi publicada, porque os ministros Celso de Melo e Nery da Silveira não assinaram o voto, numa procrastinação aliás frequente que estimula a impunidade. O prefeito deve ser afastado do cargo, mas os vereadores só podem adotar a medida após receberem comunicação da Justiça.
ACM, o marqueteiro
Ele manda mais do que admite, atropela quem estiver à sua frente e, de FHC à Justiça, muita gente tem medo de sua proverbial malvadeza.
Por tudo isso, e pela incomum capacidade de manter-se sempre na crista da onda, ACM vai receber dia 19, no Rio de Janeiro, um dos poucos títulos que lhe faltam: Homem de Marketing do Ano.
A Viúva veloz
Um contrato dos tempos de Joel Rennó fez a Petrobras queimar R$ 10 milhões pelo direito de dizer por aí que fornece a gasolina da equipe Williams, na Fórmula 1. Grande coisa.
Pelo valor do contrato chega-se à conclusão que o dinheiro da Petrobras não serviu apenas para gasolina, mas também para lubrificantes.
Graxa, por exemplo.
Lavanderia Brasil
A lista com os nomes dos fregueses e parceiros de alta classe média de Fernandinho Beira-Mar não está cheirando bem...
Limpando a imagem
A Procuradoria da República do Rio de Janeiro processa 14 diretores e ex-diretores de hospitais da rede pública federal por improbidade administrativa. Eles são acusados de assinar ou renovar contratos a preços superfaturados com a White Martins, contra a qual já corre uma ação pública por superfaturamento de até 500%.
Com a imagem mais suja do que pau de galinheiro e preocupada com a provável multa (de 30% do seu faturamento bruto), a empresa oferece agora bolsas para formar 1.500 agentes de saúde em vários Estados.
TV asneiras
Tão chocante quanto as notícias sobre o assassino do cinema são as entrevistas de psiquiatras e de psicólogos afirmando obviedades e arriscando diagnósticos sobre alguém que sequer examinaram.
Selo de qualidade
O conselho federal da OAB discutirá hoje em Brasília a criação de um selo de qualidade para as 380 faculdades de Direito funcionando no País, numa reação à passividade do governo diante da proliferação desses cursos. A idéia é promover avaliações periódicas e divulgar nacionalmente o nome das escolas que estejam cumprindo as diretrizes e os programas traçados quando os cursos foram criados.
Poucas faculdades merecerão a chancela da OAB.
Nepotismo pernambucano
O presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Etério Galvão, nega que seja parente da maioria das 24 pessoas listadas nesta coluna:
- Quanto a Murilo Galvão (filho e assessor) é concursado e não foi nomeado por mim; Fabiana Galvão (sobrinha) foi secretária de Estado (...) e tem capacidade para exercer o cargo. Diga-se o mesmo de Edson Ramos (seu irmão), bacharel em Direito, técnico em Desenvolvimento Econômico, servidor da Sudene por mais de 30 anos (...) tem condições de exercer cargo de qualquer secretaria de Estado de Pernambuco.
Ele só reconhece sete familiares e diz que nepotismo implica não somente em parentesco, mas sobretudo em incapacidade e sinecura. Ah, bom.
Ascensão
Há dez anos éramos a Belíndia.
Em menos de dez anos seremos a Brasômbia.
O PODER SEM PUDOR
Crença em Deus
Candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso já cumprimentava, no estúdio, o entrevistador Boris Casoy. Seu amigo José Gregori, teve um mau pressentimento e rascunhou um bilhete: Receio que o Boris lhe pergunte algo sobre religião. Se surgir o assunto, não esqueça de mencionar que colaborou com o cardeal-arcebispo e com a Comissão de Justiça e Paz.
A tal colaboração se deu através do Cebrap, quando FHC participou da elaboração de livros sobre São Paulo, encomendados pela Arquidiocese.
Gregori correu para o estúdio mas a porta já estava fechada e ele não pôde fazer o bilhete chegar ao destinatário. E quase morre de desgosto quando ouviu a pergunta que embaraçou o candidato e que é apontada como uma das principais razões de sua derrota para Jânio Quadros:
- O sr. acredita em Deus? - disparou Boris, à queima-roupa.
Gregori desconfia que Ele soprou a pergunta no ouvido de Boris.





