Cláudio Humberto (De Brasília)
Cláudio Humberto
De Brasília
Cláudio Humberto Rosa e Silva
E-mail: [email protected]
www.claudiohumberto.com.br
É preciso (...) parar de enrolar o povo
(Do governador do Rio, Anthony Garotinho, em crítica velada mas não explícita a FHC)
Os inimigos internos de FHC
FHC anda irritado com dois importantes colaboradores: os presidentes do Banco do Brasil, Paolo Enrico Zaghen, e do BNDES, Andrea Calabi.
- Quem tem aliados como esses não precisa de inimigos desabafou o presidente a um senador tucano, em tom de amarga brincadeira.
Eles são acusados de boicotar o esforço de divulgação publicitária orçado em R$ 16 milhões do Programa Avança Brasil, considerado a tábua de salvação do governo.
Boicote vai gerar crise
Calabi e Zaghen fazem ouvidos moucos aos apelos do secretário de Comunicação, Andrea Matarazzo, do secretário-geral do Planalto, Aloysio Nunes Ferreira, e até do chefe da Casa Civil, Pedro Parente, para ajudar a bancar a campanha publicitária do Avança Brasil.
FHC está informado e o impasse pode degenerar em crise. O presidente não compreende a má vontade, até porque os dois bancos estarão à frente de grande parte das ações propostas pelo próprio programa.
Lotes no mar
Aflorou no Planalto uma história escabrosa que FHC queria não conhecer, sobre um loteamento em Tramandaí, no litoral gaúcho, que segue mar a dentro (até a terceira arrebentação, dizem os lesados).
O autor da proeza, então jovem e futuroso advogado, sócio da empresa Cury & Padilha (que os gaúchos rebatizaram de Cury & Quadrilha), hoje é seu ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. Quem loteia o mar...
Irmão camarada
O chefe de gabinete do ministro Eliseu Padilha, Raimundo Dantas dos Santos, hoje é um homem influente nos círculos de poder.
Até indicou seu irmão para o cargo de administrador regional da cidade satélite da Candangolândia, no Distrito Federal.
Ikal está no Cadin
Além de estar metida até o pescoço no escândalo do superfaturado prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, aquele do juiz Lalau, a Construtora Ikal Ltda., também está inscrita três vezes no Cadin, por débitos não quitados junto à União. O primeiro registro, de julho de 98, foi provocado por débito no INSS. A 18 de março de 99, outro registro no Cadin, contra a Ikal, foi solicitado pela Caixa Econômica Federal. O último, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, provavelmente por débitos fiscais, é datado de 29 de setembro passado.
Para inglês ver
Está virando letra morta a lei que proíbe de prestar serviços e até receber pagamentos da administração federal quem estiver registrado no Cadin, espécie de SPC do governo que põe numa lista negra empresas em dívida com o Tesouro. Registrada pela primeira vez em 1998, a Construtora Ikal Ltda., é uma delas, mas apenas recebeu pagamentos de quase R$ 800 mil, entre janeiro e abril desde ano, como no último dia 5 de outubro embolsou a devolução de três depósitos de caução em garantia de contratos, de R$ 8.171,71, R$ 10.488,69 e R$ 10.210,34.
Faça como eu digo...
O senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) bem que poderia aproveitar o seu projeto de Código de Defesa do Contribuinte para pôr fim a um velho cartório, garantido por portaria amiga da Receita Federal: o monopólio de sua Brasif Duty Free Shop Ltda na exploração dos free-shops nos aeroportos. Como gosta de posar de arauto da livre iniciativa, Bornhausen daria o exemplo, propondo leilão para quem quiser explorar o negócio. Nada mais neoliberal do que isso.
A falácia do MEC
Em abril, o Ministério da Educação divulgou uma lista com 53 cursos de Direito que poderiam ser fechados devido à má qualidade, as notas baixas no Provão e às avaliações da Secretaria de Educação Superior. Todos foram inspecionados por especialistas, mas até agora não se sabe o resultado, porque o MEC não divulga os relatórios.
A ameaça ficou só nas palavras: nenhum curso será fechado. O Conselho Nacional de Educação até está renovando o reconhecimento de todos os cursos. Daí a pergunta: avaliar para quê?
Bola nas costas
O SBT foi a única emissora de televisão que entrevistou o assassino do cinema, em São Paulo, quando todo mundo queria ver e ouvir o maluco.
Curiosamente, o SBT é a única TV que não tem Departamento de Jornalismo regular. Os concorrentes destacaram seus melhores repórteres para levar bola nas costas, na cobertura do caso.
Já vai tarde
Funcionários do consulado-geral do Brasil em Nova York contam que o afilhado do embaixador Flávio Perry é do tipo mal educado, que põe os pés sobre a mesa do cônsul, grita, humilha, pinta e borda.
Aliviados, eles também comemoram o emprego que o cônsul-geral Perry arranjou para o garotão no escritório da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) na Big Apple.
Rico em amigos
Chega de São Luís (MA) o protesto de inúmeros amigos do senador José Sarney (PMDB-AP) contra a avaliação de investidores paulistas, que o consideram um os políticos mais ricos do País. Todos testemunham a frugalidade da vida e dos hábitos do ex-presidente.
Ladeira abaixo
Na Justiça, o governador Tasso Jereissatti (CE) começa a perder a briga com o funcionalismo. O desembargador Evandro Nogueira Lima acaba de impedir qualquer alteração no cálculo de gratificações salariais dos servidores do Ministério Público, que o pode servir de amparo jurídico aos milhares de funcionários atingidos na jugular dos vencimentos.
O PODER SEM PUDOR
Mineiros ao telefone
Tancredo Neves adorava falar ao telefone.
Certo dia, no final de 1984, o homem mais assediado do País (sua eleição para presidente estava garantida) interrompeu uma reunião, em sua casa, para atender o telefone com sua saudação característica:
- Aaaaalôôôôô!
- Quem tá falando?
- Tancredo.
- Eita. O Tancredo Neves?
- Ele mesmo.
- Ô, Tancredo, faz um favorzim: chame aí a Nazaré - disse o homem, com sotaque mineiro.
- Olha, amigo, ela saiu e só volta mais tarde.
- Então faz favor de anotar um recadim pra ela - pediu o interlocutor.
- Um momento que vou pegar um pedaço de papel.
Com boa vontade, Tancredo anotou o recado do amigo de sua cozinheira, para espanto e irritação dos figurões que esperavam o fim daquela conversa entre mineiros para finalmente seguir com a reunião.





