CLÁUDIO HUMBERTO
Verba para casas pode ter pago mortadelas
Houve flagrantes de pagamentos em dinheiro para que pessoas muito simples, chamados "mortadelas", engrossassem manifestações lideradas por entidades como CUT e MST. A suspeita agora é que, além de dinheiro fácil do imposto sindical, pode ter sido usado verbas da modalidade "Entidades" do programa Minha Casa Minha Vida, que nos governos do PT rendeu R$1,03 bilhão a essas organizações.
Na maior moita
Meio secreto, o Minha Casa Minha Vida "Entidades" foi descoberto quando Bruno Araújo assumiu Cidades no início do governo Temer.
Dinheiroduto
O ex-ministro Bruno Araújo havia revogado o Minha Casa Minha Vida "Entidades" em maio, mas depois recuou e reativou o dinheiroduto.
Sangria continua
Mantida, a versão "entidades" do Minha Casa Minha Vida já custou ao País, só este ano, quase R$800 milhões (exatos R$797 milhões)
Como funciona?
Se uma "entidade" obtiver desapropriação de área invadida, a Caixa financia obras no local. Isso pode estar estimulando novas invasões.
Bolsa Família já custou R$21,7 bilhões só este ano
O programa Bolsa Família custou ao País só este ano, até o fim de outubro, R$21,6 bilhões. O maior valor ainda é transferido para a Bahia: R$2,88 bilhões são distribuídos entre 6 milhões de beneficiados. São Paulo é 2º que mais recebe, R$ 2,08 bilhões. O governo Temer já lançou o "Progredir", porta de saída, mas não tem pressa: o Bolsa Família é, afinal, "o maior programa de compra de votos do mundo", conforme já o definiu o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).
Muita calma nesta hora
O Bolsa Família não pode parar de repente: além dos beneficiados, há toda uma economia, sobretudo no comércio, que depende dos valores.
Zona de conforto
O "Progredir" prevê requalificação profissional com garantia de emprego, para estimular a saída da zona de conforto do Bolsa Família.
Metade na Bahia
São mais de 13,4 milhões de famílias que têm no Bolsa Família, na maioria dos casos, a única renda mensal. Quase metade é da Bahia.
Minas sem foro
Minas Gerais é, do ponto de vista proporcional e absoluto, o Estado que menos concede o foro privilegiado a autoridades. Apesar de seus mais de 850 municípios, apenas 26 autoridades têm a regalia.
Nossos bolsos a salvo
Entidades sindicais quase não arrecadam de trabalhadores rurais. A contribuição deles representa apenas 0,44% de toda a arrecadação dos sindicatos. A grana preta (que embolsavam) é dos cofres públicos.
Artífice do entendimento
Será realizado no próximo dia 5, às 18h30, na biblioteca do Senado, o lançamento da biografia de Marco Maciel ex-senador e vice-presidente. O título é "Marco Maciel: Um Artífice do Entendimento" (Ed. Cepe).
Senador murchou
Ministro do PMDB muito ligado ao presidente Michel Temer desdenha da sugestão de correligionários para expulsar também o senador alagoano: "Renan perdeu importância, virou um não problema", diz.
Lesa Pátria
Assumindo o Terminal de Álcool de Maceió, as distribuidoras do Sudeste liquidariam a produção nordestina de álcool de cana, como sempre quiseram, inundando a região com álcool podre, de milho, importado dos Estados Unidos sem pagar impostos.
É para sempre
Ao desistir do ex-deputado João Henrique na Secretaria de Governo, Michel Temer sabia que isso não mudaria a relação com ele. São velhos amigos. E até as respectivas viraram as melhores amigas.
Grandes brasileiros
Teotônio Vilela, o Menestrel das Alagoas, morreu há 34 anos e continua fazendo muita falta ao Brasil, tanto quanto o engaçadíssimo jornalista Apparício Torelly, o Barão de Itararé, falecido há 46 anos.
Dinheiro é vendaval
Parlamentares têm R$4,5 bilhões no orçamento de 2018 em emendas de bancada. Antes, toda a grana era destinada a obras nos estados. Agora, R$1,35 bilhão (30%) serão gastos na campanhas eleitorais.
Pergunta na Papuda
Quem raios misturou com todos os outros aquele queijo apreendido na cueca do deputado?
PODER SEM PUDOR

Cinco doses de duração
O falecido senador Fábio Lucena, do Amazonas, tinha o hábito de passar o tempo, nos aviões, com um copo de uísque nas mãos talvez para disfarçar o medo de voar. Quando Tancredo Neves percorria o País, em 1984, para legitimar sua campanha presidencial, Lucena viajava para um comício em Belém (PA) quando um repórter perguntou:
- Senador, quantas horas são mesmo de avião entre Brasília e Manaus?
- Quantas horas, eu não sei. Só sei que são cinco doses de uísque.
Com André Brito e Tiago Vasconcelos
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