‘Cabeças pretas’ não têm votos para trocar relator
Tucanos anti-Michel Temer, que o Planalto chama de "cabeças pretas", reclamam do relator da segunda denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) porque não têm votos suficientes, na bancada, para reverter a escolha de Bonifácio de Andrada (PSDB-MG). Estimativas da oposição indicam que aumentou o número de deputados do PSDB que não vão apoiar a segunda denúncia da PGR contra o presidente.

O favorito
O nome do deputado Bonifácio Andrada era o preferido do presidente Michel Temer desde a primeira denúncia. Agora não deu outro.

Lista provisória
O presidente da CCJ da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), listou três nomes para a função de relator. Acabou abrindo mão dos três.

Descendo do muro
O Planalto aposta em apoio maior do PSDB, na segunda denúncia. Na votação da primeira, o placar foi apertado: 21x20.

Aulas memoráveis
O juiz Ademar Vasconcelos, ex-titular da Vara de Execuções Penais do DF, foi aluno de Bonifácio Andrada: "suas aulas eram memoráveis", diz.

Novos áudios animam defesa de Temer: ‘armação’
Os novos áudios divulgados pela revista Veja animaram o presidente Michel Temer e assessores no enfrentamento das denúncias. Destacados para ouvir várias vezes as gravações, assessores levaram a Temer a certeza de que o conteúdo reforça que os "meliantes" (como se referem a Joesley Batista e seus cúmplices) fizeram uma grande armação para destruir o presidente e, em troca, garantir a impunidade.

O porquê da elação
O grupo de Joesley é investigado em seis operações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, como Lava Jato e Zelotes.

Manipulação
Na avaliação do Planalto, os áudios mostram que autoridades do MPF foram manipuladas pelos delatores para fazer o que eles queriam.

Delação sob cachê
Fica claro nos áudios, para o Planalto, que o doleiro Lúcio Funaro foi pago para delatar Temer quando Joesley mandasse "fechar a tampa".

Fundão afundou
O deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), que foi relator da reforma trabalhista, acha que o "fundão eleitoral" de R$1,8 bilhão não passa na Câmara. "Se passar será por votação apertada".

Depósitos detalhados
Na defesa da convocação de Dilma à CPI da JBS, o deputado João Rodrigues (PSD-SC) lembra que Joesley & Cia citam extratos detalhando os depósitos feitos em conta atribuída a Lula e Dilma.

Novidade na Anatel
O presidente Michel Temer deve indicar para o conselho da Anatel o potiguar Emanoel Campelo, que seria ligado ao ex-deputado Henrique Alves. O ministro Gilberto Kassab (Comunicações) não gostou.

Missão difícil
Senadores do PMDB, Renan Calheiros e Jader Barbalho, mais queimados que espeto de churrasco, têm o mesmo problema para 2018: viabilizar a reeleição e não atrapalhar os filhos nas urnas.

Maranhão na Lava Jato
Ex-vice de Eduardo Cunha na Câmara, Waldir Maranhão (Avante-MA) será investigado por ordem do ministro Edson Fachin. É acusado de receber R$ 2,47 milhões da construtora Queiroz Galvão, pelo PP.

Projeto específico
Proposta do senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) impõe quarentena de três anos para procuradores que deixem a carreira. A Constituição prevê esse prazo para magistrados e o estende a ex-membros do MP.

Sem perdas
Apesar de os juros terem caído quase à metade em relação ao governo Dilma, os bancos não reduziram as taxas para o consumidor. A taxa é de 8,25%, mas o Itaú só financia por 10,1%. A Caixa, o menor, 9,33%.

A volta da censura
OAB pediu a imprensa de Alagoas para omitir do noticiário advogado envolvido em escândalo. No Rio, o Flamengo proíbe o jornalista Diogo Dantas, do Extra e do Globo, de fazer perguntas ao técnico do time.

Calendário
Alguém precisa lembrar à turma dos recibos de Lula que este domingo não é 31 de setembro.

PODER SEM PUDOR

Imagem ilustrativa da imagem CLÁUDIO HUMBERTO


Cadeira boa de sentar
Ao ler pesquisa indicando certo apoio a "intervenção militar provisória", o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) lembrou de uma história que lhe foi contada pelo saudoso ex-ministro Wilson Fadul, oficial da Marinha e ministro da Saúde de João Goulart.
Fadul foi procurado por lideranças militares que lhe propuseram, com o apoio do presidente, promover um golpe de Estado, fechar o Congresso, estabelecer a volta do presidencialismo e devolver o poder a Jango, libertando-o das amarras do parlamentarismo. Fadul se animou com a ideia e correu com a proposta. Jango ouviu e respondeu:
- Esquece, Fadul, esta cadeira é muito boa. A hora que esta turma sentar aqui só sai depois de 20 anos.
"A história provou que ele estava certo", lembra Marun.

Com André Brito e Tiago Vasconcelos
www.diariodopoder.com.br

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