CLAUDIO HUMBERTO
A ex-presidente Dilma sabia de todos os detalhes das negociatas com a Odebrecht, até pelo seu caráter centralizador. Marcelo Odebrecht revelou em depoimento que foi acertada uma "contabilidade criativa" para viabilizar a propina dos partidos que apoiaram sua reeleição, em 2014, mas levou até Dilma um documento de seis páginas cobrando o pagamento das "pendências" do governo com a empreiteira. Afinal, sem afanar dinheiro público não seria possível pagar as propinas.
Parceiro maltratado
Marcelo reclamou a Dilma que as dívidas do governo com a Odebrecht não era "forma de tratar os parceiros".
Doações ilegais
A campanha Dilma pediu inicialmente R$57 milhões a Odebrecht, além do que havia sido doado e repassado ao marqueteiro João Santana.
Política de resultados
Apoio do PDT, PCdoB, PRB e Pros à reeleição de Dilma custou R$ 24 milhões saídos do caixa 2, em 2014.
Comuna gosta de grana
Mostrando sua afinidade com o "ideário" do PT, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) recebeu R$ 7 milhões, revelou Marcelo Odebrecht.
Emílio delata, mas diz gostar e confiar em Lula
Em um dos mais de vinte depoimentos em sua delação premiada, o empresário Emílio Odebrecht revelou algo curioso: "Gosto de Lula, confio nele. Posso afirmar...", disse. O patriarca da Odebrecht continua: "Desligue aí", pediu, pretendendo detalhar seu bem-querer ao ex-presidente. Mas foi interrompido. Em outro dos seus depoimentos, Emílio se refere ao ex-presidente Lula com deferência, como "chefe".
Aleatório
Um dos procuradores que tomavam o depoimento de Emilio Odebrecht pediu que deixasse para depois os "comentários aleatórios" sobre Lula.
Gentileza
Emílio se fazia representar em festinhas e reuniões mais íntimas da família Lula. A intenção era fazer um gesto e se "preservar".
Relacionamentos
Nas delações, fica claro que a convivência estabeleceu laços afetivos entre Emílio e Lula. Marcelo Odebrecht se relacionava com Dilma
Obediência
Ex-presidente do Conselho de Administração do grupo, Marcelo Odebrecht está preso há quase dois anos pela operação Lava Jato, mas ainda se refere a Dilma Rousseff como a "presidenta".
O operador de Dilma
Marcelo Odebrecht contou que foi ao Palácio do Planalto (ou Alvorada, não se lembra), após a demissão de Antonio Palocci, e perguntou a Dilma com quem ele conversaria sobre "pagamentos e contribuições": "Agora é com Guido Mantega?" Ela respondeu: "É com o Guido".
Instituto levou
Marcelo Odebrecht revelou que a maior parte dos pagamentos na conta "Italiano", sob controle de Antonio Palocci, utilizava "Brani", Branislav Kontic, assessor do ex-ministro, como um office boy de luxo.
Dinheirama fácil
Logo após a demissão de Antonio Palocci da Casa Civil do governo Dilma, em 2011, a conta "Italiano" administrada pelo ex-ministro destinou R$ 4 milhões ao Instituto Lula.
TCU envergonhado
O TCU está "representado" na Lista de Fachin por dois ministros do TCU: o próprio presidente, Raimundo Carreiro, e Vital do Rêgo, ex-senador do PMDB-PB que recebeu R$350 mil para o caixa 2.
Areia demais
A aposta da Odebrecht era de que após a eleição de 2010 "não se imaginava" que Aloizio Mercadante ocuparia cargo importante no governo Dilma. Ele queria a Fazenda, ganhou Ciência e Tecnologia.
Tinha para todos
De acordo com Marcelo Oderbecht, as campanhas de Aécio Neves (PSDB-MG) e de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já eram bancadas pela Odebrecht em 2010, quando ele aumentou valores repassados ao PT.
Desde a ditadura
A amplitude das investigações da Lava Jato tem deixado em alerta até os políticos mais antigos. Há relatos de propina desde os anos 1980, quando o Brasil vivia a ditadura do general João Figueiredo.
Pensando bem...
... este domingo de Páscoa será especialmente azedo para os políticos que, além de voltar ao trabalho amanhã, estão na lista de Fachin.
PODER SEM PUDOR
Sargento Stephanes
Em 1958, Tenente Ribas, um oficial de Engenharia do Exército, era o subcomandante da 5ª Companhia, em Curitiba (PR), e descobriu que um dos recrutas tinha nível melhor que os demais: era aluno do segundo ano da Escola Técnica. Ficou curioso: por que ele não incorporou no CPOR? "Não tenho condições, senhor", respondeu o filho de pequenos agricultores.
Em dois meses o rapaz foi promovido a sargento e ficou cinco anos na tropa. Era o sargento Reinhold Stephanes, que anos depois seria ministro dos governos Collor, FHC e Lula.
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Com André Brito e Tiago Vasconcelos
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