CLÁUDIO HUMBERTO
Dilma regularizou porto irregular da Odebrecht
Entre os escândalos da Odebrecht, há um que merece as atenções dos investigadores da Lava Jato e da CPI do BNDES: o porto construído em Santos pela empreiteira. A empresa comprou uma área proibida para portos, construiu nela um terminal de contêineres, o Embraport, associando-se a um mamute internacional (DP, a Dubai Ports), e inaugurou a obra. Pouco mais de um mês depois da inauguração irregular, a presidente Dilma assinou um decreto regularizando a área.
Homens de visão
A Odebrecht investiu em terreno irregular, prevendo que um dia por coincidência, logo após sua inauguração tudo seria regularizado.
Siga o dinheiro
A empreiteira Odebrecht tem 66,7% da Embraport, em Santos. O resto é do DP-World, Dubai Port, cujo dono é Sultan Ahmed Bin Sulayem.
Nós é que pagamos
Nem Odebrecht, nem a DP coçaram o bolso para construir o terminal. Tudo veio das generosas tetas do governo, através do BNDES e Caixa.
Melhor que colo de mãe
Do R$ 1,8 bilhão investidos no porto, R$ 663,3 milhões são do BNDES, via Caixa, com juros de 3% ao ano, e US$ 786 milhões vieram do BID.
Cortes disfarçam aumento brutal de impostos
Os ministros do Planejamento e da Fazenda apresentaram um pacote de "corte de gastos" muito abaixo das expectativas para um País que perdeu o grau de investimento e mergulhou na mais grave crise da sua história. Os "cortes" pareceram uma jogada esperta, uma cortina de fumaça para o que de fato o governo pretende: impor um aumento brutal de impostos de R$ 34,4 bilhões, para não mexer em privilégios.
Pacote pífio
Os ministros Nelson Barbosa e Joaquim Levy não definiram medidas estruturantes, tampouco propuseram cortes na média da necessidade.
Mediocridade
Na prática, o governo quer evitar o desgaste dos cortes e, mais uma vez, faz a opção fácil de aumentar impostos e recriar a CPMF.
O governo 'amarelou'
A área técnica do Ministério do Planejamento fez estudos para demitir metade dos terceirizados e redução de 30% dos servidores efetivos.
Conspiração S/A
As grandes empresas de assessoria de imprensa, às quais o governo paga R$ 100 milhões anuais, não são acionadas para fazer a "gestão de crise" de Dilma por uma simples razão: boa parte desse arsenal trabalha para as forças que querem derrubar o governo.
Bom, pero no mucho
A média de apoio ao governo na Câmara teve leve oscilação positiva na comparação com julho. Em agosto, o índice passou de 50,96% para 52,35% - em 16 votações nominais. O governo foi derrotado em cinco.
Tesoura afiada
A Petrobras avisou que será pesada a tesourada no orçamento da Transpetro. Mesmo assim, a estatal manterá no cargo os diretores do ex-presidente Sérgio Machado, acusado de afanar recursos públicos.
Longe de mim
O vice-presidente não quer nem saber de se colar nas trapalhadas do Palácio do Planalto. Veio da Rússia o apoio de Michel Temer ao plano austero de Dilma: Temer só volta à Brasília na próxima sexta-feira.
Velhos amigos
A CPI que investiga a roubalheira na Petrobras interroga, nesta terça, o operador Milton Pascowitch, delator da Lava Jato. A ideia é mostrar a relação do lobista com o ex-ministro do governo Lula José Dirceu.
À espera
Ao menos 35 deputados do PMDB conspiram, uns na surdina outros nem tanto, pelo impeachment da presidente Dilma. A oposição garante que mais 20 "aguardam instruções" do vice-presidente Michel Temer.
Passando o chapéu
Vítimas dos calotes do governo Dilma, os comandantes da Marinha, no Rio de Janeiro, vêm revezando os turnos. Há dias em que o pelotão é dispensado até por falta de comida e água.
Interminável campanha
Dilma conseguiu piorar a já estremecida relação com os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), que não engoliram a defesa dela no escândalo das pedaladas fiscais, se comparando à gestão Fernando Henrique. Segundo ministro, comparações só funcionam "em eleições".
Pensando bem...
...há vários meses que o código de vestimenta do Palácio do Planalto é o "tomara que caia".






