CLÁUDIO HUMBERTO
Sócios, corruptos tinham 2% da Queiroz Galvão
Em depoimento à Polícia Federal, ao qual esta coluna teve acesso, um diretor do grupo Queiroz Galvão, Othon Zanoide de Moraes, revelou que o grupo pagou 2% do seu faturamento (bruto) anual a título de propina aos enrolados na Lava Jato. Ele disse ser responsável apenas pelas "doações" ao PP, mas destacou que o presidente da empreiteira, Ildefonso Collares, tinha a decisão final sobre o esquema de propina.
Metodologia da propina
Todas as empresas do grupo Queiroz Galvão, segundo Othon Moraes, reservavam até 2% do faturamento para "doar" a partidos e a políticos.
Ponte com doleiro
Othon disse à PF que o ex-deputado José Janene apresentou-o ao doleiro Alberto Youssef, responsável pelo propinoduto do PP.
Propina em lista
O diretor da Queiroz Galvão contou à PF que recebeu em 2010 uma lista de Youssef com políticos destinatários de "doações" da empreiteira.
PMDB dentro
Othon Moraes confirmou o pagamento de R$ 500 mil ao PMDB-RO, a pedido de Youssef, mas negou conhecer o senador Valdir Raupp (RO).
Senado pode rejeitar outro diplomata bolivariano
Após a rejeição de Guilherme Patriota para a OEA, há a expectativa no Itamaraty de que outro bolivariano pode vir a ser o próximo rejeitado no Senado: Antônio Simões, indicado embaixador em Madri. A Espanha levou uma eternidade para dar agrément (o "aceito"), sinal eloquente do desagrado com a indicação, em linguagem diplomática. É conhecido o zelo chavista do indicado, que colegas chamam de "Simões Bolívar".
Interesse econômico
Espanha deu agrément a Simões de olho na boa relação com o Brasil, que é essencial à saúde de empresas como o Santander e Telefónica.
Ninguém esquece
Simões é acusado por colegas de ajudar a crucificar Eduardo Saboia, que salvou a vida de um senador perseguido pelo governo da Bolívia.
Zeloso chavista
Simões também teve papel instrumental na suspensão do Paraguai para forçar a entrada da Venezuela ao Mercosul, vetada por Assunção.
Gleisi dá a mão a Beto
O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), tomava chá de cadeira de Renan Calheiros, quarta, quando a conterrânea Gleisi Hoffmann (PT) lhe fez uma gentileza: pegou-o pelo braço e o introduziu no gabinete do presidente do Senado, sem necessidade de pedir licença.
Falta pulso firme
O ministro Joaquim Levy (Fazenda) pratica o esporte nacional de falar mal do governo. Diz aos mais próximos que a falta de "pulso firme" do governo com o Congresso compromete suas tesouradas.
Regabofe
O deputado Heráclito Fortes (PI), ex-DEM e agora no PSB, cuja carreira o ex-presidente Lula tentou acabar nas urnas, participou ontem de animado almoço com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
Sem resistências
A rebeldia do senador Lindbergh Farias (RJ) não resistiu a uma ligação de Dilma, antes de viajar para o México. Rapidamente ele prometeu apoiar o ajuste. Já Paulo Paim (RS), nem precisou de telefonema.
Conveniente
A CUT voltou a fazer baderna no Congresso. Desta vez, protestaram contra o distritão. A central sumiu de Brasília desde a aprovação, com votos do PT, das MPs que retiraram direitos trabalhistas.
O mandachuva
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) quer isolar o PT e fazer um agrado aos opositores, inclusive no Rio de Janeiro, ao designar Rodrigo Maia (DEM-RJ) como relator da reforma política, no plenário.
Primeiro a máquina
O senador Antonio Reguffe (PDT-DF) votou contra o ajuste. Para ele, primeiro o governo federal deve cortar na máquina administrativa, obesa e corrupta, para só depois cortar programas e investimentos.
Mercadante entregou
Dilma ficou estarrecida com a atitude nos bastidores do ex-presidente Lula, relatada pelo ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), insuflando senadores do PT a votar contra o pacote fiscal do governo.
Aparências
A alegria de Aloizio Mercadante ao lado de Joaquim Levy, durante coletiva nesta semana, é tão verdadeira quanto uma nota de R$ 3.






