Claudio Humberto
''A quebra de sigilo do caseiro é o maior crime desde 1964.''
Senador tucano Antero Paes de Barros (MT) lembrando que nem a ditadura ousou tanto
'Abin 2' sai das trevas
O governo não desiste: após a revelação de que a Agência Brasileira de Inteligência havia devassado a vida de políticos de oposição, uma ''força-tarefa'' clandestina de arapongas, batizada de ''Abin paralela'', deve sair das trevas para assumir a autoria das ''investigações''. A ''Abin 2'' - cuja criação foi atribuída ao então ministro José Dirceu - prepara-se para panfletar na mídia e nos meios jurídicos uma nova versão sobre o dinheiro do caseiro.
Fonte
A ''Abin paralela'' acusará um empresário do Piauí, José Alves Filho, amigo de políticos, de fornecer o dinheiro que apareceu na conta do caseiro.
Chefes
Os arapongas clandestinos a serviço do governo se esforçam para implicar os senadores Heráclito Fortes (PFL-PI) e Alberto Silva (PMDB-PI).
Novos nomes
A contra-informação da Abin-2 tenta implicar João Abrão, da Confederação Nacional da Agricultura, e seu amigo Caô, da Federação piauiense do setor.
Não colou
Foi inútil: na audiência secreta, ontem, o general Jorge Félix não convenceu os senadores ao jurar que a Abin não bisbilhota os opositores do governo.
O avô revive a dor do pai
O jornalista Marcelo Netto ganhou ontem a primeira neta enquanto prestava depoimento à Polícia Federal. Mariana é filha de Matheus Leitão, repórter de ''Época'', cujo nascimento o pai não viu, porque, militante de esquerda, ele depunha no DOI-Codi. Marcelo também não viu nascer Vladimir Netto, competente repórter da TV Globo: ele estava preso nos porões da ditadura.
Descontrole
O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) quis enquadrar o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral. Como não conseguiu, xingou sua mãe.
Ca-la-do
Tranco do deputado Geddel Vieira Lima (BA) em Anthony Garotinho, ontem, na reunião do PMDB: ''Você fica quieto porque é cristão novo''. Ele ficou.
Barrados
Os humoristas do Pânico (Rede TV!) foram enxotados do Congresso, ontem. Seguranças alegaram que não eram jornalistas credenciados.
Tapas e beijos
Os governistas denunciam fraudes na eleição de Waldemir Moka (PMDB-MS). A deputada Thaís Barbosa (MT) assinou a lista de presença e depois recuou. Sem ela, os oposicionistas não conseguiram o quórum necessário.
Sequestro
O Senado ouve hoje, em sessão reservada, o embaixador Sérgio Telles, envolvido no esforço para recuperar os restos mortais do engenheiro João José, sequestrado (e morto, como revelamos) no Iraque há um ano.
Acerto de contas
O Tribunal de Contas da União convocou dois ex-presidentes do BNDES, Francisco Gros e Eleazar de Carvalho Filho, para explicar gastos de R$ 124,3 milhões com publicidade e informática, suspeitos de irregularidades.
Contas secretas
Manobra de Waldir Pires dispensou o Sebrae, presidido pelo primeiro-amigo Paulo Okamotto, e o Sesi de Jair Meneghelli, o amigo da CUT, de divulgar na internet os resultados das auditorias da Controladoria-Geral da União.
Faxina
A Presidência da República vai gastar R$ 66 mil em material de limpeza e higiene, como essência de eucalipto para sauna, detergentes, baldes, rodos etc. A licitação inclui quase R$ 6 mil em papel higiênico. Agora vai.
Dia de índio
O Ministério Público do Paraná suspendeu a licença ambiental da hidrelétrica de Belo Monte, porque a Eletronorte não consultou os índios. Criticou a rapidez do Congresso autorizando estudos de impacto ambiental.
Aos 'nepotantes'
Na boca do forno, após decisão do Conselho Nacional de Justiça contra o nepotismo, foi adiado o novo concurso no Tribunal de Justiça do Piauí, que seria realizado pelo Instituto Cidades.
Carga pesada
Leilão de blocos de granito em Marlborough (EUA) intrigou o jornal MetroWest Daily News: eram da empresa onde morreu esmagado o brazuca ilegal Valdecir Rodrigues, em outubro. A família não foi indenizada.
Ruim de doer
O ex-ministro Antônio Palocci não sai de casa porque tem um ''mal'' caseiro.
PODER SEM PUDOR
Ele se acha
Na reunião do alto comando tucano, terça-feira, em Brasília, o senador Leonel Pavan passou um bilhete ao candidato a presidente Geraldo Alckmin: ''Santa Catarina o espera com 4 mil pessoas nas ruas, no dia 8 de abril''. O ex-governador leu e acenou a Pavan, afirmativamente. O senador recuperou o bilhete, transformou-o em um aviãozinho de papel e escreveu na ''fuselagem'': ''Pavan Sex Symbol''.
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Claudio Humberto, com Donizete Arruda e Teresa Barros
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