Claudio Humberto
''Vamos dar um banho de ética no Brasil.''
Geraldo Alckmin (PSDB) ao aceitar a indicação para enfrentar o presidente Lula nas urnas
Esperto, Lula ligou para Alckmin
O presidente Lula tomou uma iniciativa ignorada até pelos mais íntimos: quando soube, ontem à tarde, que o PSDB anunciaria o governador paulista Geraldo Alckmin para disputar a eleição presidencial, ele fez questão de telefonar ao tucano cumprimentando-o pela indicação. O gesto de Lula, que surpreendeu o próprio Alckmin, certamente foi decisivo para evitar ataques diretos do candidato tucano durante o seu discurso, minutos depois.
Nome temido
Apesar de declarações em contrário, Alckmin é o candidato mais temido no governo, porque - dizem as pesquisas, como a que foi encomendada por Eduardo Campos, presidente do PSB - tem ampla margem de crescimento.
Prévias na Justiça
Se não conseguir o apoio de nove dos quinze membros da executiva nacional para cancelar a prévia de domingo, o grupo do PMDB ligado ao governo já definiu o ''plano B'': vai recorrer à Justiça para anular o evento.
Alegação governista
O grupo governista do PMDB pretende a nulidade da prévia de domingo, para escolher o candidato a presidente, alegando que sua convocação é privativa do diretório, e não da executiva, como ocorreu.
Líder com medo
Com a recusa do líder do PMDB na Câmara, Wilson Santiago (PB), de apoiar a suspensão da pré-convenção, temendo que Garotinho o retire do cargo, o deputado Jader Barbalho (PA) disse-lhe na lata: ''Tu és um merda!''
Palocci: insustentável
O caseiro Fracenildo Costa (''Nildo'') contou ao Estadão, ontem, o que os nossos leitores sabem desde 4 de fevereiro e o motorista Francisco Costa confirmou à CPI dos Bingos, há dias: Antônio Palocci frequentava a mansão utilizada em Brasília para lobby e encontros suspeitos da sua turma de Ribeirão Preto. Até petistas avaliam: a situação do ministro é insustentável.
Conspiração tosca
A senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) ironizou a idéia de que o caseiro faz parte de ''conspiração'' para derrubar Palocci: ''Nunca vi tanta gente em uma conspiração''. HH ouviu relato igual de Jeany Mary Córner e suas meninas.
Pensando bem...
...nem caseiro nem motorista. O mordomo foi o culpado da visita do ministro Palocci à mansão dos lobistas amigos, em Brasília.
Citação certa
O senador Alvaro Dias apelou ao relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Filho (PMDB-RN), para não esquecer Palocci no relatório final: ''É irrecusável''.
Conta outra...
Pegou mal no Congresso a nota em que o Palocci diz que nunca dirigiu em Brasília. Foi motivo de gargalhadas entre jornalistas e até governistas.
Brigadeiro na Infraero
Lula recebeu ontem o brigadeiro José Carlos Pereira, atual diretor de Operações da Infraero, para confirmar: será ele o presidente da estatal, como antecipou esta coluna, em lugar de Carlos Wilson. Assumirá no dia 27, após o retorno do ministro da Defesa, José Alencar, de viagem à China.
Melancia no pescoço
A deputada Angela Guadagnin (PT-SP), de atuação apagada, encontrou uma maneira de aparecer: presta-se ao papel tentar retardar o processo de punição de colegas petistas acusados das safadezas do mensalão.
Cacofonia rima...
Ângela Guadagnin repetiu várias vezes, no Conselho de Ética, ''essa caneta'', referindo-se à Montblanc presenteada ao petista João Paulo Cunha. Ele não deve ter gostado da ilação involuntária...
...com besteirologia
Mais tarde, o deputado João Paulo Cunha também deu sua contribuição ao picadeiro da língua pátria, ironizando que o relator César Schirmer (PMDB-RS) ''nunca ganhou uma caneta''.
Foi de graça
O ministro Walfrido Mares Guia (Turismo) garante que a publicação dos seus esclarecimentos, sobre denúncia de envolvimento com o empresário Marcos Valério, nada custou aos cofres públicos.
Favores canadenses
O deputado Alberto Fraga (PFL-DF) afirma que sua viagem ao Canadá, para conhecer sistemas de segurança, nada custou à Câmara: ele viajou com despesas pagas pelo governo canadense. Humm...
PODER SEM PUDOR
Nicotina de mentira
Na Constituinte de 1988, o então senador Mário Covas não fumava. Comia cigarros, quatro carteiras por dia. Acabou com várias pontes de safena no coração. Proibido de fumar pelos médicos, era sua mulher, d. Lila, quem o vigiava. Certo dia, ela flagrou o marido, todo faceiro, no corredor das comissões, rodando entre os dedos o que parecia um puro da Souza Cruz.
- Mário, você está fumando?!
- Não, Lila - respondeu Covas, encabulado - um amigo me trouxe dos Estados Unidos. É um cigarro de borracha, mas tem cheirinho de nicotina...
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Claudio Humberto, com Klecius Henrique e Teresa Barros
www.claudiohumberto.com.br





