Claudio Humberto
''Quase tudo nesse governo é falso e cheira a corrupção e a engodo.''
Senador tucano Arthur Virgílio (AM) para quem Lula faz um ''governo do quatriênio perdido''
'Bandejão' pode cassar Severino
Quando falou em derrubar o presidente da Câmara, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) não imaginava uma resposta tão imediata: com discreto aval do presidente Lula, líderes partidários já falam em deflagrar o processo de cassação do mandato de Severino Cavalcanti, a partir de denúncia sobre o pagamento de propina mensal (batizada de ''Bandejão'') paga pelo dono da concessão de um restaurante do 10º andar do Anexo IV da Câmara.
Insustentável
Muito pessimistas, os próprios assessores de Severino Cavalcanti consideravam ontem a sua situação ''insustentável''. Mas o presidente da Câmara nega a denúncia e se diz vítima de tentativa de chantagem.
Oba, oba
Na avaliação de líderes partidários, a cassação de Severino seria um fato político tão importante que faria parecer menor o escândalo do mensalão. Lula ficou animado. Até parece haver retomado a motivação perdida.
Palocci: a casa cai
Vai feder o caso da compra da casa do ministro Antônio Palocci (Fazenda) na Lagoinha, bairro nobre de Ribeirão Preto (SP). A operação é complicada, envolveu um apartamento da Encol, seu amigo advogado Brasil Salomão, e o valor final da compra, concluída em maio de 1996, foi de apenas R$ 858.
Palocci S/A
Documenta-se uma velha suspeita dos munícipes de Ribeirão Preto (SP), a de que os irmãos Pedro e Antônio Palocci são felizes proprietários do prédio onde funciona o Hospital São Lucas, que se imaginava pertencer à Unimed.
PF não é Abin
Francisco Garisto, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, ficou indignado com a entrega a Lula, pelo ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), de relatório da Polícia Federal sobre investigações da corrupção. Ele lembra que a ''PF é Polícia Judiciária da União e não Polícia Secreta do Executivo''. E que o relatório deveria ter sido levado ao Ministério Público.
Réquiem
Nova Orleans, terra do jazz, agora jaz.
Navalha na carne
A Associação de Pecuaristas da Irlanda protestou ontem, no centro de Dublin, contra a carne brasileira, vendida como irlandesa, e bem mais barata, nos supermercados. Querem fiscalização nos restaurantes.
Mudança do quadro
Pela pesquisa do Instituto O&P Brasil, no final de agosto, no DF, José Serra ganharia de Lula para presidente, em 2006, e a senadora Heloísa Helena (Psol-AL) já empata, em segundo, com o ex-presidente FHC.
Saia justa
O prefeito do Rio, César Maia, não divide nem congraçamento: deixou o casal Garotinho de fora do jantar para os convidados ao casamento do filho Rodrigo. Saia justa para Moreira Franco (PMDB-RJ), da família da nova.
Felizardo
Primeiro astronauta brasileiro, o coronel Marcos Fontes estará na nave espacial Soyuz em abril de 2006, anunciou a agência russa Novosti. Nove entre dez políticos brasileiros gostariam de trocar de lugar com ele.
Cascatas exteriores
Na comissão de Relações Exteriores do Senado, o chanceler Celso Amorim leu manchetes de jornais brasileiros e estrangeiros, sobre os mesmos temas, para reclamar do tratamento da mídia nacional. Ou seja: seus factóides vazios e retumbantes fracassos são culpa da imprensa.
Caixa cheia
O deputado ACM Neto (PFL-BA) se impressionou com a repercussão de Jô Soares. Na manhã seguinte a sua entrevista, teve o e-mail congestionado. Houve até quem o lançasse a presidente. ''Sou muito novo'', esquivou-se.
Psol é 50
Os fundadores do PSOL querem que a legenda receba o nº 50. Fácil de ser colocado no meio da sigla. Esperam estar legalizados até o fim do mês.
Ponte da amizade
Má notícia: o Brasil, segundo a ONU, crescerá menos que o Paraguai em 2005. A boa notícia: poderemos contrabandear nosso presidente-pirata.
PODER SEM PUDOR
Rolando o lero
A senadora Heloisa Helena (Psol-AL) presidia a sessão, ontem, quando José Maranhão (PMDB-PB), antes do seu discurso, avisou que iria demorar.
- Não tem importância senador. Fique à vontade. Sou muito tolerante. E os senadores que aqui estão, e que também vão falar, serão pacientes.
Meia hora, Mão Santa (PMDB-PI) o aparteou, na maior ingenuidade:
- Meu ilustre senador, por que não transforma esse discurso logo num livro?
Maranhão agradeceu a sugestão e mandou ver. Falou exatos 90 minutos.
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Claudio Humberto, com Klecius Henrique e Teresa Barros
E-mail: [email protected]
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