Claudio Humberto
''É a estratégia do medo, para nada investigar''
Senador tucano Antero Paes de Barros (MT) sobre a CPI ampla, geral e irrestrita do nada
Rebelo fez aposta perigosa
Para abortar a CPI sobre corrupção do ex-braço direito de José Dirceu, o ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) fez uma aposta tão perigosa quanto eficaz: através dos líderes governistas, liberou para apoiar a CPI qualquer parlamentar capaz de apontar prova de mutreta de Waldomiro Diniz no atual governo. Do contrário, exigia um ''voto de confiança''. Como ninguém apareceu para acusar Diniz, cresceu a opção de sepultar a CPI.
É o bicho
Piadinha que fez sucesso, ontem, entre senadores da oposição: ''quer saber que bicho deu? Pergunte ao Dirceu''.
Velho fantasma
Waldomiro seria o primeiro a depor, na CPI do Financiamento Ilegal de Campanhas, ''mas depois seria um desfile de pavões'', ironiza um ministro. A começar por Ricardo Sérgio Oliveira, amigo de José Serra e mala tucano.
CPI faz bem
No dia 31 de julho de 2000, o então presidente do PT, José Dirceu, criticou as manobras para evitar uma CPI sobre maracutaias do governo FhC: ''CPI faz bem ao Brasil'', trombeteou. Mas vê-se hoje não faz bem ao PT.
Nem aí
Em junho, ao saber nesta coluna da reunião secreta de Waldomiro em hotel de Brasília, para renovar o contrato da multinacional GTech com a Caixa, José Dirceu ordenou que ele pedisse para ser investigado. Você pediu?
Teje preso
Luiz Guilherme Vieira, advogado de Waldomiro Diniz, atuou na defesa de outro figurão: Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central no governo FhC. Os dois têm alguém em comum: a senadora Heloísa Helena (AL), que deu voz de prisão a Chico Lopes, também quer o escalpo de Waldomiro.
Uai, sô
Ao ouvir que Waldomiro nem é filiado ao PT, aquele desconfiado político mineiro raciocinou: ''afilhado não é mesmo. Tem toda cara de padrinho...''
De camarote
O ex-ministro Cristovam Buarque tem sorte de Forrest Gump. Caiu fora antes de o governo começar a se degradar e ainda assiste, de camarote, o inferno astral do inimigo José Dirceu, que o derrubou do MEC.
Big Brother
A Infraero bem que poderia inovar no aeroporto de Brasília, colocando cartazes com os dizeres: ''Chore, você está sendo filmado''.
Esquisitice
O ''núcleo duro'' do Palácio do Planalto achou muito esquisita uma das condições do prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento, para virar ministro dos Transportes: levar com ele o seu homem de finanças, Aluísio Braga.
Música, maestro
Os deputados estaduais do Rio voltam do recesso ao som do Hino Nacional e O Guarani, de Carlos Gomes, pela Filarmônica do Rio. O maestro Florentino Dias agradece a lei que tirou a orquestra do fundo do poço.
Brutal injustiça
O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) anda impossível. Discursará protestando contra a demissão de Waldomiro Diniz. ''É uma injustiça brutal: se o PT jura que ele nada fez de errado e que o escândalo se refere ao passado, por que então foi demitido, agora que está regenerado?''
Água encanada
Fundo de pensão tem decisão inédita na justiça do Trabalho do Rio: os seis mil servidores da Cedae vão eleger duas diretorias no Prece e não uma, conforme a lei. O sindicato negociou acordo coletivo incluindo dois diretores.
Sem citação
A Monsanto e a Federação da Agricultura gaúcha recusaram-se a receber ontem a ''citação'' do Tribunal Internacional Popular sobre Transgênicos, organizado por 30 ONGs e movimentos sociais, dia 11 em Porto Alegre.
Crise de abstinência
Henrique Meirelles, presidente do BC, diz no jornal francês Les Echos que o Brasil pretende viver sem o FMI. Só não explicou como abandonar o vício.
Ninguém segura
A juíza Maria Luiza Sigaud Daniel, da 45 Vara Cível do Rio, ordenou busca e apreensão da carteira de clientes da Generali Seguros, no âmbito do processo de apólices fraudulentas em mais quatro seguradoras, os ''seguros de gaveta''. Uma centena de clientes foi lesada, sobretudo no Nordeste.
Moral da história
A Alerj informa: foram exonerados 28 diretores para adaptar a Assembléia ao teto salarial de R$ 11.130 fixado na reforma da Previdência. Dá 99% da diretoria e não 99, publicados por erro de digitação na coluna.
Voz do povo
Nunca diga desta cachoeira não beberei.
PODER SEM PUDOR
Bolsas para todos
Conta-se em Urussanga (SC), cidade vizinha a Criciúma, que em 1999 estudantes carentes pediram bolsas de estudo ao vice-prefeito Sandrini, que assumira no lugar do titular, Ruberval Pilotto. Solícito, o prefeito interino chamou um assessor e determinou que fosse à papelaria adquirir todas as bolsas que fossem necessárias. E ainda reforçou, para incredulidade geral:
Se a prefeitura não tiver dinheiro, pode colocar na minha conta, eu pago.





