''Para mim, quanto mais radical, melhor''

Presidente Lula, dizendo-se ''doido para debater'' as reformas com os seus críticos

Bingo chega ao Planalto

Investigações do Ministério Público e da Polícia Federal concluíram que a máfia dos bingos, que controla o rentável negócio das máquinas caça-níqueis, movimenta R$ 150 milhões por dia no País, e envolve políticos importantes, como o deputado Leonardo Alcântara, filho do governador do Ceará e presidente da Comissão de Economia da Câmara. A revista ''IstoÉ'', que circula hoje, também cita Waldomiro Diniz, um dos principais assessores do poderoso ministro José Dirceu (Casa Civil).

Peça-chave

Ex-presidente da Loterj, Waldomiro Diniz é apontado como peça-chave na renovação do contrato anual de US$ 130 milhões da Caixa com a GTech, que controla as loterias. No governo FhC, a renovação foi negociada com redução de 20% no valor do contrato; no governo Lula, caiu para 15%.

Grave denúncia

Outra grave denúncia na ''IstoÉ'' vai movimentar os meios políticos: o ex-diretor financeiro do Dnit (ex-DNER) Sérgio Pimentel acusa de corrupção o ministro Anderson Adauto (Transportes) por favorecer uma empreiteira.

Tratamento especial

Sérgio Pimentel revela que recebeu ordens do ministro para pagar R$ 7,8 milhões a Queiroz Galvão, e não os R$ 600 mil inicialmente previstos. Ao dar a ordem, Anderson Adauto estava com um diretor da empreiteira.

Furando a fila

Poucos dias após beneficiar a Queiroz Galvão, fazendo-a ''furar a fila'' dos pagamentos, o ministro Anderson Adauto ordenou a liberação de mais R$ 14,8 milhões à empreiteira, por obras realizadas em Pernambuco.

Culpa de Deus

O ministro Anderson Adauto confirma que mandou fazer os pagamentos à empreiteira Queiroz Galvão, inclusive em detrimento de débitos mais antigos, mas garante que cumpriu ordem do ministro José Dirceu.

Que ética?

Fernando Ferro (PT-PE) não considerou ''falta de ética'' viajar aos EUA e África do Sul, para conhecer ''o outro lado'' da multinacional Monsanto sobre os produtos geneticamente modificados. Na Câmara, Ferro não citou a ''ajuda de custo'' da embaixadora americana Donna Hrinak aos deputados.

Dicionário do PT

Vantagem indevida: É tudo aquilo que ofende a ética, os bons costumes e a lei, desde cometido pelos adversários.

Valentão e mudo

Aécio Neves ainda não pediu desculpas a Kalony, menina goiana de 12 anos a quem agrediu, na posse do presidente do Supremo Tribunal Federal. Ele a empurrou com violência e machucou o ombro da garotinha, que ajudava a organizar a fila de cumprimentos ao ministro Maurício Corrêa.

Linha de produção

A ''fábrica'' de cartas do lobby da morte voltou a funcionar, com as notas da coluna sobre a proibição da venda de armas. Têm o mesmo tom agressivo, argumentos primários e são enviadas quase simultaneamente, via internet.

Item social

Além das reformas, a reunião de segunda-feira entre Lula e os governadores, terá um item a mais na pauta: os programas sociais tocados pelos Estados. O Planalto pediu a cada um deles um balanço na área.

Exemplo potiguar

Na reunião de segunda, a governadora do RN, Wilma de Faria, apresentará o programa Primeiro Emprego, pioneiro no País, que já beneficia três mil jovens. O governo paga o salário mínimo e as empresas os encargos.

Loucura multada

O condutor do Tempra com placa ''Cerimonial'', do Ministério das Relações Exteriores, terá uma surpresa desagradável: o Detran confirmou que será multado três vezes porque passou a 120km/h, quinta-feira, por três radares da na Av. das Nações, em Brasília, onde a velocidade máxima é 70 km/h.

PODER SEM PUDOR - Falatório não é dinheiro

Secretário de Planejamento de Pernambuco nos anos 70, Everardo Maciel promoveu um seminário sobre projetos para a região metropolitana do Recife, na prefeitura da capital. Os temas eram excessivamente técnicos, enfadonhos. O então prefeito, Augusto Lucena, interrompeu Maciel:
- Secretário, vou sair e dar uns telefonemas...
Ante a expressão de espanto de Maciel, ele completou:
- ...quando chegar na parte ''dinheiro para a cidade'', propriamente dita, pode mandar me chamar.
E foi embora.
Colaborou: Teresa Barros
E-mail: [email protected]
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