Cláudio Humberto
''Temos uma paixão. Queremos fazer diferença''
(Peter Blake, o rei da vela assassinado no Brasil)
Farra de liberações na Saúde
Nada como candidato em campanha: o ministro José Serra (Saúde) fez publicar no Diário Oficial de ontem treze páginas com novos contratos e liberações de recursos, a torto e a direito. Incluindo a renovação do contrato da agência de propaganda DM9/DBB para o próximo ano, no valor de R$ 40 milhões. Quase o dobro do que torrou em 2001 - R$ 24 milhões - para trombetear as maravilhosas realizações do ministro.
Quanta consideração...
O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Claudio Considera, é muito bonzinho com quem aumenta os preços dos remédios. Sua portaria nº 81, já em vigor, é uma curiosa renúncia de poder: desobriga os laboratórios farmacêuticos de comunicar os reajustes à sua própria secretaria. Que existe para isso mesmo.
Casamento na corte
Terça, às 20 horas, perante 50 pessoas escolhidas a dedo e convidadas por telefone, o ministro Nelson Jobim, presidente do TSE, oficializará sua união com Adrienne Sena, presidente do temido Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que rastreia dinheiro sujo. Convidados, entre outros, FhC, os ministros Marco Aurélio e Sepúlveda Pertence, do STF, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e o ministro José Serra.
Goleada no holofote
Para quem acha que holofote rende votos, o senador Geraldo Althoff (PFL-SC), relator da CPI do Futebol, acaba de perder de goleada para o deputado Paulo Bornhausen (filho do seu chefe, o ''dr. Jorge'') a primeira das duas prévias do PFL catarinense para a escolha do candidato do partido do Senado. Ele recebeu só 3% dos votos; Bornhausen, 27%.
O primeiro pirata
Faz a fama e deita na cama. Um dos mais famosos piratas da História era holandês e viveu Brasil do século XVII. Quando os portugueses expulsaram os holandeses, fugiu para a Jamaica, onde se tornou conhecido pela crueldade, atacando barcos e navios, e pelo apelido: ''Roche Brasiliano''. Não se sabe se ele andou pelo Amapá, onde piratas brasileiros do século XXI mataram o velejador Peter Blake.
Mundo animal
O FMI conseguiu inverter a Natureza. Agora é o Cavallo quem leva coice.
Que crise?
Mais uma informação sobre o fausto em que vive o dono da Transbrasil, Antônio Celso Cipriani, deixou perplexos os trabalhadores da empresa: seu patrimônio, estimado em US$ 300 milhões, inclui a mansão de cinco quartos ocupada apenas por sua filha, em Denver (EUA), onde estuda.
O fura-fila
O advogado-geral da União, Gilmar Mendes, parece incapaz de gestos gentis com o Judiciário. No lançamento de um livro do juiz federal Flávio Dinno, em Brasília, todos respeitaram a enorme fila, inclusive o ministro Paulo Costa Leite, presidente do STJ, e o senador Edison Lobão. Ele preferiu furar a fila, constrangendo o autor e revoltando os convidados.
Paulo quem?
O ex-prefeito Paulo bin Maluf passou incógnito por Brasília, esta semana, apesar do seu esforço, saracoteando no Congresso, distribuiu sorrisos e tapinhas nas costas. Ninguém deu a menor atenção. Sequer foi notícia.
Ditado indigitado
O que os olhos não vêem, não dá audiência.
Projeto consensual
Depois do apoio das Organizações Globo, o projeto que permite a participação de capital estrangeiro nas empresas de comunicação virou consensual. Só o PT faz algumas objeções, mesmo assim pontual: seu líder, deputado Walter Pinheiro (BA), quer a garantia de que a programação das emissoras será definida pelos seus sócios brasileiros.
Réus prestigiados
O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Batista, garante que esteve numa visita oficial e não secreta, a Natal, onde um inquérito apura caso tortura, superfaturamento e até eutanásia no Catre. E avisa que o coronel Pablo Morosino Lopes e demais envolvidos gozam ''do prestígio atribuído a todos os integrantes da FAB''. Que coisa...
Vai se queixar ao bispo
Nem isso o prefeito de Nova Iguaçu, Nélson Bornier, pode mais fazer, depois de trocar o PSDB do Rio pelo PL, atrás dos votos da Igreja Universal na Baixada Fluminense. Edir Macedo quer o sobrinho, Marcelo Crivela, candidato ao Senado, e Bornier ficou sem pai nem mãe.
O mundo gira
O brinde do presidente peruano Alejandro Toledo a Lula, como ''futuro presidente do Brasil'', foi um troco a FhC, o amigo fiel do ex-presidente Alberto Fujimori. Toledo não esquece que o brasileiro até fez a OEA aceitar a fraude eleitoral. Contra quem? Ele mesmo, Toledo.
Vias de fato
O governador José Ignácio (ES) por muito pouco não esbofeteou o número 2 do Ministério do Planejamento, Guilherme Dias. Capixaba e amigo do senador Paulo Hartung (PSB), ele quis reduzir de R$ 26 para R$ 10 milhões a ajuda para reparar os estragos das chuvas. E mandar o dinheiro diretamente aos prefeitos, ligados a Hartung. FhC soube da confusão e chamou Ignácio de volta, no mesmo dia, liberando o dinheiro.
PODER SEM PUDOR
O destino de Juquinha
Quando Magalhães Pinto era só empregado no Banco da Lavoura, antes de virar banqueiro (no Banco Nacional), assinou o célebre Manifesto dos Mineiros e perdeu o emprego. D. Maricota, sua mãe, não se conformava:
- Juquinha, meu filho, o que será de você agora?
Magalhães, o ''Juquinha'', avisou:
- Não se preocupe, minha mãe. Não nasci para ser banqueiro. Seu filho nasceu para ser presidente da República!...
A História mostraria que ele era ruim de prognóstico.
Claudio Humberto com Teresa Barros
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