Cláudio Humberto
Conspiração racial
O Ministério das Relações Exteriores trabalha com uma informação explosiva, levantada em Washington com a ajuda de arapongas: quase todas as organizações não-governamentais dedicadas à causa dos negros, no Brasil, seriam financiadas pelo governo dos Estados Unidos, dentro de uma sofisticada estratégia para pôr fim à crescente influência brasileira no continente africano. Estudos do Departamento de Estado americano, interceptados pelo Itamaraty, revelam que o Brasil é visto como potência dominante portanto inimiga na África.
Ilenagate ainda vive
A oposição ao governador do Paraná não desistiu da CPI para investigar o escândalo dos chamados Jogos da Natureza. Querem desvendar o Ilenagate, esquema que reuniu Ilena, filha de Jaime Lerner, seu secretário dos Transportes, Heinz Herwing, e a Heads, agência de publicidade de Cláudio Hofman, genro do governador. As cifras podem chegar a US$ 80 milhões. Enquanto o caso continua debaixo do tapete, camisetas promocionais dos Jogos da Natureza 2001 estão sendo distribuídas fartamente na feira Flora 2000, em Hyogo, no Japão.
A maldição de Greca
Parece até despacho em encruzilhada do ex-ministro Rafael Greca.
FHC não gostou de saber que o novo ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, foi alvo de constrangedora homenagem, em Brasília, da qual participaram alguns dos principais defensores da legalização do jogo no País, assunto proibido no Planalto. Melles até já recebeu a recomendação de ser mais discreto no seu relacionamento com Ciro Bateli, capo da turma que luta pela volta dos cassinos.
Da boca para fora
Não irá às últimas consequências a ameaça de FHC de demitir os afilhados dos parlamentares que votaram contra o mínimo de R$ 151. Fonte próxima ao Planalto garante que o presidente fez a ameaça como uma espécie de antídoto contra novas manifestações de rebeldia.
Tudo o que o Governo deseja é recompor a base de apoio parlamentar e um pouco de paz. E fôlego para as eleições municipais.
Lança-perfume
Será no dia 24 o julgamento que vai decidir no Superior Tribunal de Justiça se o portador de lança-perfume é contrabandista ou traficante.
Na terceira seção, onde o processo vai ser julgado, o placar está 4 a 1 pelo entendimento de que o cloreto de etila, essência do lança-perfume, deve ser tratado como entorpecente. Falta ainda o voto de três ministros.
O presidente, ministro Vicente Leal, só vota em caso de desempate.
Causa própria?
O senador Íris Rezende (PMDB-GO) quer aprovar projeto que substituí as penas privativas de liberdade iguais ou superiores a um ano por penas restritivas de direitos e multa.
Ou seja, ele quer trocar cadeia por multa. A proposta pode até ser interessante, mas os inimigos acham que tem jeito de causa própria.
Che à brasileira
A Agência Brasileira de Informações também ficou sabendo da presença de guerrilheiros colombianos no depoimento do traficante Marcinho VP na CPI do Narcotráfico, em Brasília. A Abin soube também que VP não foi capturado, como divulgou a polícia carioca: ele teria negociado para se entregar porque decidiu formar lideranças revolucionárias na cadeia.
Se isso tudo de fato ocorreu, e não passa de coisa de araponga, é forçoso reconhecer: cada país tem o Che Guevara que merece.
Naufrágio anunciado
Entre os colaboradores do Instituto Memorabilia (responsável pelo fracassado projeto da Nau Capitânia) figuram, além do Clube Naval, a Docenave, a Marinha do Brasil, a Associação Portuguesa de Treino de Vela e a Petrobras. Não faltaram afinidades com o mar, embarcações e até mesmo com águas profundas. Vai ver foi isso.
Que parto!
Tomou juízo o Conselho Administrativo da Fundação Geap, que funciona como plano de saúde dos servidores públicos, depois de um período turbulento, no qual teve de afastar seu presidente, sob suspeita de irregularidades, e de evitar que outros gananciosos ocupassem o cargo. Para alívio dos servidores que há anos esperam o fim da brincadeira com o dinheiro alheio, a Geap tem um novo diretor-executivo: Johaness Eck, subsecretário de Assuntos Administrativos do Ministério da Justiça.
Brasileirinho esquecido
Este será mais um doloroso Dia das Mães para Maria Célia Vargas, que há 14 anos não vê o filho Hugo, sequestrado pelo pai, o francês Raymond Rozner. Quatro cartas rogatórias já foram enviadas sem resultado, apesar de o jovem ter sido localizado no Sul da França. O deputado Marcos Rolim (PT-RS) pretende cobrar uma atitude do ministro da Justiça, na próxima reunião do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. A pessoa humana, no caso, é um Elián brasileiro, esquecido desde os tempos de Fernando Lyra e Paulo Brossard. Os tempos agora são de José Gregori.
Festa no interior
Enquanto os aliados votavam a favor do salário mínimo de R$ 151, a Anatel autorizava a entrada em operação de mais de 120 emissoras de rádio AM, FM e emissoras de TV por este mundo de Deus afora.
Como a emissora da Fundação Nossa Senhora da Guia, em Patos (PB) e a Rádio Nova Xavantina Ltda. Uma visitinha ao site da Agência Nacional de Telecomunicações dá a dimensão do valor real do mínimo.
E do máximo da politiquice, de que fala FHC.
Coelho é o bicho
O senador Lúdio Coelho (PSDB-MS) é, a seu modo, um amante da Natureza. Da Natureza morta. O Ibama recolheu os animais silvestres em extinção que criava no sítio, em Campo Grande. Mas Coelho não desistiu. Votou a favor do novo Código Florestal, que quase extingue a Floresta Amazônica, mas não toca nos 30 mil hectares que possui no Pantanal. Os bichos que se cuidem.
PODER SEM PUDOR
Saia-justa
O deputado Cunha Bueno (PPB-SP) lançou esta semana, em Lisboa, um belo livro, Dicionário das Famílias Brasileiras, com direito a CD, que conta a origem dos nossos sobrenomes e tem saborosos relatos sobre tudo, inclusive as puladas de cerca de personalidades da nossa História.
No concorrido coquetel realizado na Quinta das Mil Flores, sede da Embaixada do Brasil, houve um momento de saia-justa, quando um jornalista português quis saber do autor se ele registrara a história de Tomás, o filho de FHC com a jornalista Miriam Dutra, da TV Globo. Bueno sorriu sem graça, mas foi socorrido por um assessor:
- Tomás Dutra estará na segunda edição do livro garantiu.
Cláudio Humberto Rosa e Silva
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