''Minhas costas têm pele de tartaruga, podem bater que não dói''
(Paulo bin Maluf, fazendo pouco das acusações dos militantes do Ministério Público)
O jantar do achaque
O presidente da Novartis no Brasil, Andreas Strakos, jantou mesmo em Brasília, no dia 14 de setembro, com o secretário nacional de Assistência à Saúde, Renilson Rehen, e seu subordinado Alberto Beltrame. Segundo testemunhas, o lobista Alexandre Paes dos Santos pegou Strakos no Hotel Bonaparte e pelas 21h20 o levou ao Restaurante Trastevere, onde se deu um suposto achaque em nome do ministro José Serra (Saúde).
É fácil comprovar
Renilson Rehen e Adreas Strakos negam o jantar, mas a Polícia Federal acha que o bilhete aéreo do presidente da Novartis e o cheque ou cartão de crédito usado para pagar a conta no restaurante podem confirmar o encontro. O escândalo da suposta extorsão a empresas farmacêuticas por assessores do ministro Serra foi revelado nesta coluna na terça-feira.
Local predileto
Adreas Strakos, da Novartis, contou a um amigo que temia estar sendo atraído a uma armadilha, por isso tentou, por celular, alterar o local do jantar, naquela noite chuvosa de 14 de setembro, mas Renilson Rehen, secretário de Assistência à Saúde, negou. ''É nesse restaurante que me reúno com os laboratórios'', teria dito o assessor do ministro José Serra.
Chantagem recusada
A autorização de um remédio para tratamento de câncer, o Glivec (do laboratório Novartis), estaria sendo dificultada pelo secretário Renilson Rehen, segundo apurou a PF. Mas o suposto achaque de 14 de setembro não teria sido aceito pelo representante da Novartis no Brasil, Andrea Strakos, que então ''caiu em desgraça'' no Ministério da Saúde.
Estranha irritação
No dia 18, quatro após o jantar da tentativa de extorsão, o ministro José Serra recebeu o presidente mundial da Novartis, Daniel Vassela. Irritado, Serra reclamou do presidente da Novartis no Brasil, Andrea Strakos, acusando-o de ''falta de ética'' e ''pagar'' à ONG Associação de Pacientes de Câncer para recorrer à Justiça e garantir o acesso ao remédio Glivec.
Na beira da guerra
O Brasil não está parado. O abismo é que está andando.
Padilha: mais uma
A ministra Anadyr Rodrigues, corregedora-geral da União, intimou a diretoria da Companhia Docas de São Paulo (Codesp) a explicar acordos - de R$ 312 milhões - que prejudicam a empresa na cobrança de seus créditos. A Codesp é vinculada ao ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, ''freguês'' de Dona Anadyr - por isso ela resolveu meter a colher.
Tem saída
Se Ramón Puerta for eleito presidente do senado, o argentino Fernando encontra fácil o caminho ''De La Rúa''.
Briga de evangélicos
A briga entre Anthony Garotinho e sua vice, Benedita da Silva, preocupa a comunidade evangélica, da qual os dois são ilustres representantes na política brasileira. Garotinho está sendo instado a se retratar, ou a meta de unir os evangélicos em torno de sua candidatura presidencial vai por água abaixo. E Bené disse que vai se queixar ao bispo. Macedo?
Gafe no almoço
A Associação Brasileira de Agências de Propaganda reuniu ontem a fina flor do mercado (agências e veículos), em almoço no ''Massimo'', em São Paulo, para homenagear o ministro Andrea Matarazzo (Comunicação Social) e o seu substituto, Luiz Macedo. Mas cometeu a gafe de não convidar Macedo, que, claro, não foi. Nem gostou da descortesia.
Mendonção no PMDB
O ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, que integra a ruidosa ala das ''viúvas do Serjão'' - a facção tucana que seguia a orientação do falecido Sérgio Mota - escreve um programa político para o PMDB. A encomenda foi da direção do partido e já está sendo previamente rejeitada por amplos setores, onde seu nome soa como palavrão.
Presidente camarada
O presidente da Câmara Municipal do Rio, Sami Jorge (PDT), abonou, de uma canetada, cinco faltas da dublê de vereadora e popozuda Verônica Costa (PL), referentes aos dias 12, 13, 14, 20 e 21 de setembro. A rainha dos tigrões e quetais é vista em entradas hollywooodianas na Câmara carioca, dirigindo carros importados e acompanhada por seguranças.
Pitidiotas
Continuam os casos de ataques de pitbull, enquanto os donos se fingem surpresos. A solução é botar coleira no pitubull e focinheira nos pitdonos.
Só dá eles
A Nesco, subsidiária da espanhola Acciona, que já está na ampliação do metrô paulista, não quer perder o trem também em Porto Alegre, Recife e Fortaleza. Tem R$ 333 milhões para investir no metrô da capital cearense. Nas outras capitais os metrôs estão em fase de pré-qualificação. A Acciona já explora uma rodovia no Paraná.
Ainda falta um
Arrasta-se há anos o processo que resultou na punição de delegados e agentes da Polícia Federal envolvidos em venda ilegal de armas. Mas o principal acusado, delegado Nascimento Alves Paulino, ainda não foi punido, graças a ações judiciais protelatórias. Irmão de um procurador da República, ele vem sendo vem bem instruído, na área jurídica.
PODER SEM PUDOR
Bicho de bico não presta
O mineiro Petrônio Souza lembra a história para fazer um paralelo com os tucanos: o governador de Minas, Bias Fortes, soube que o seu amigo, deputado Sady da Cunha Pereira, que era fazendeiro, havia montado uma granja na Pampulha e quis conferir se era verdade. O deputado-fazendeiro confirmou, orgulhoso, mas o governador advertiu:
- Sady, Sady! Larga esse negócio o mais rápido possível! Meu pai dizia: bicho de bico não põe ninguém rico; bicho que mija pra trás é que bota o homem pra frente!
Cláudio Humberto com Teresa Barros
E-mail: [email protected]
www.claudiohumberto.com.br

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