Cláudio Humberto - De Brasília
''Não sei se vale a pena.''
(FhC a um garoto que disse querer ser presidente, quando crescer)
Dívida ativa vai a R$ 207,6 bi
Pouco empenhado em receber o que lhe devem, o governo perseguiu e afastou Aldemário Araújo Castro da coordenadoria-geral da Dívida Ativa, na Procuradoria da Fazenda Nacional, porque ele tinha o estranho hábito de cumprir o dever. Os resultados já apareceram. Segundo extrato do Balancete Geral da União, em poder da coluna, o total da Dívida Ativa da União, que em 15 de agosto passado era de R$ 190 bilhões e 270 milhões, já saltou para R$ 207,6 bilhões em 8 de outubro.
São Paulo 10x1
Enquanto os senadores e deputados do Rio não conseguem fazer valer as emendas que eles próprios emplacaram no Orçamento, em 2001 os de São Paulo liberaram dez vezes mais recursos (R$ 126,8 milhões), ou 26,6% do total de R$ 476 milhões. Mesmo a bancada do Acre é mais eficiente: liberou seis vezes mais recursos que o Rio: R$ 64,1 milhões.
Campanha
O ''Diário Oficial'' desfaz qualquer dúvida sobre quem será o candidato tucano a presidente. Tem publicado nos últimos dias um volume recorde de liberações de dinheiro para estados e municípios. Só na área do ministro José Serra (Saúde), claro. As demais continuam a pão e água.
Ele sabe tudo
Numa eventual CPI do FAT, para investigar os R$ 2,1 bilhões torrados em cursos de ''formação e qualificação profissional'', uma figura obrigatória no banco de depoentes será Nassim Gabriel Mehedeff, secretário de Políticas Públicas de Emprego, do Ministério do Trabalho. É gente da confiança da primeira-dama, Dona Ruth Cardoso.
Tá feia a coisa
A Presidência da República pagará R$ 14.951,10 a uma empresa de Brasília, a Serralheria e Premoldados Zebral Ltda, sem licitação (força do hábito), para montar grades de proteção com alambrado, diante dos palácios do Planalto e da Alvorada. Na justificativa do contrato, a confissão: ''crescimento constante de manifestações populares''.
Sugestão
O próximo ''No limite''da Rede Globo poderia ser gravado em Cabul.
Força-tarefa
Procuradores federais aguardam resposta superior à proposta de criação de força-tarefa para investigar o impressionante volume de denúncias contra o Ministério dos Transportes. A idéia ganhou novo fôlego com o caso envolvendo Arnoldo Braga Filho, assessor e amigo do ministro Eliseu Padilha, acusado de transferir milhões de dólares ao exterior.
Pensando bem...
...anões do Orçamento. Gigantes da Viúva.
A guerra é aqui
A revista ''Business Week'' desta semana não culpa Osama bin Laden: a economia brasileira caiu numa armadilha antes dos ataques, com a especulação do câmbio, crise energética e incertezas na Argentina. Diz a BW que nosso dilema (ou seria Osama?) é a gigantesca dívida externa, de cerca de 7% do PIB. Algo terá que ser feito. E vai doer.
Cai, cai
E como diriam os seguidores do Itamar: se o Real continuar caindo, o Franco sobe.
Sai de baixo
O embaixador Francis Taylor, que coordena as ações contra o terror no Departamento de Estado dos EUA, acha que não estamos livres de atentados, porque a tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai abriga extremistas do Hezbolá, Hamas e al Gamat. Financiados por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e armas, eles podem atacar - adverte.
Notícia
Manchete feminista que poderá sair nos próximos meses nos jornais: ''filha de Sarney não aceita ser vice de neto do Tancredo''.
Voar é preciso?
Se depender da Polícia Federal, as empresas aéreas não precisam se preocupar com a ocupação dos seus vôos. A superintendência mineira da PF abriu licitação para comprar 1.000 passagens aéreas, nacionais e internacionais. Quase tanto quanto os R$ 7 milhões que o Itamaraty pagará à agência Voetur para transportar os diplomatas, por um ano.
Cruzes
A ''Pink List'', versão brasileira do listão gay dos EUA, foi elaborada pelo filho de importante empresário do setor varejista de São Paulo, que recentemente abandonou mulher e filhos para sair do armário. Ele está indo à forra, entregando celebridades do mundo publicitário (um deles, que desfila com louras, provocará estupefação), da política e do showbiz.
Renúncia e desgosto
Vendo tanta gente renunciar para não perder a carreira política, a gente se lembra daquele velho sucesso cantado pelo Nelson Gonçalves: ''A sua renúncia, dá-me um desgosto que não tem remédio...''.
PODER SEM PUDOR
Vale o dito
O jornalista Boris Casoy imita vozes com perfeição, mas nenhuma de suas imitações faz tanto sucesso quanto à de Paulo Maluf. Quando era diretor da Folha de S. Paulo, ele vivia pregando peças no seu secretário de redação, Odon Pereira. Certa vez, ou ouvir mais uma vez a inconfundível voz de Maluf no outro lado da linha, Odon não se aguentou, dizendo desaforos ao interlocutor, sem esquecer nenhum palavrão. Mas não era Boris ao telefone; era o próprio Maluf.
Claudio Humberto com Teresa Barros
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