Cláudio Humberto - De Brasília


Cláudio Humberto Rosa e Silva
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‘‘Recurso existe. Basta deixar de pagar juros e aplicar na área social’’ (De Gilberto Portes, do MST, ao recusar a mediação de Amaury Bier, do Ministério da Fazenda)

A farra da autopromoção
A fama de marketeiro do ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, tem lá o seu preço: R$ 6,989 milhões. Esse foi o dinheiro que ele gastou em 1999 para pagar serviços de comunicação na sua pasta.
Só a agência Casablanca Comunicação & Marketing Ltda abocanhou R$ 6,124 milhões, segundo comprovante a que esta coluna teve acesso. O deputado Agnelo Queiroz (PCdoB-DF) fez as contas: gastou-se menos (cerca de R$ 5 milhões) em ações de reforma agrária em cinco Estados, no mesmo período: Minas, Pernambuco, Bahia, Ceará e Maranhão.

Reforma não é prioridade
O MST está coberto de razão quando proclama que o governo não investe em reforma agrária: em 1999, o orçamento liquidado do ministério de Política Fundiária foi 39% menor que o orçamento executado em 1998. O programa ‘‘Organização Agrária’’, que concentra as atividades fins do ministério, só executou, em 99, 65% da dotação prevista. E o orçamento para 2000 é menor que o gasto em 98.
E não vale o ministro Raul Jungmann afirmar que, agora, o governo ‘‘gasta melhor’’. O governo gasta menos, mesmo.

Pensando bem...
...o MST recusou Bier porque não quer cerveja, mas terra.

Pegando no pesado
Não tem sido moleza a visita da comitiva brasileira chefiada pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, para conhecer os projetos de transposição fluvial, nos Estados Unidos. Até no dia 1º de maio, os 29 membros do grupo foram submetidos a oito palestras entre 8h30 e 19 horas. O ministro, governadores e parlamentares ficaram num hotel de 3 estrelas a 25 km de Denver, no Colorado, com a diária de US$ 130.

Juízes federais suspeitos...
Toma corpo a investigação de enriquecimento ilícito de dois juízes federais do Tribunal Regional Federal paulista. O relator do processo é o ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça. Os juízes viraram prósperos empresários, segundo o Ministério Público Federal.
Um deles, Paulo Theotônio Costa, é sócio (com a esposa, Marisa Nittolo Costa, procuradora do Estado de São Paulo) do empreendimento ‘‘Morada dos Pássaros’’, de sete prédios, com 112 apartamentos, em Campo Grande (MS). O projeto prevê a construção de mais 21 edifícios.

...de enriquecimento ilícito
Outro juiz federal paulista que está sendo investigado pelo STJ é Roberto Ribeiro Haddad. O Ministério Público Federal apurou que, entre maio de 97 e janeiro de 1999, Haddad comprou seis chácaras em Salto de Pirapora (SP), transformando-as no Sítio Sherwood, com 133.275 metros quadrados, em frente ao sofisticado Haras Monte Cristo. O juiz também é proprietário do Haras Manage Sherwood, para treinamento de cavalos de hipismo.

Dimed entrou na dança
A Dimed, distribuidora gaúcha de remédios, não escapou da quebra dos sigilos bancário e fiscal, na CPI dos Medicamentos.
O presidente da comissão, Nelson Marchezan (PSDB-RS), supõe que foi mal interpretado quando se discutia o número de distribuidoras que deveriam ser incluídas no rol. Ele sugeriu três, mas a CPI entendeu listar cinco, sendo a Dimed a quinta maior, no ranking do setor.

Chame o ladrão
Ainda não foi encontrado o automóvel Passat roubado no último dia 28 de março, em plena luz do dia (14h30), em Curitiba.
O fato seria banal se o roubo não tivesse acontecido no estacionamento do Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense.

Olhar elevado
O deputado Paulo Octavio (PFL-DF) tomou uma atitude corajosa: foi ao salão de beleza Maurizio Mandala, no Brasília Shopping, na capital, e se submeteu a uma dolorosa seção de extração de pêlos das sobrancelhas.
‘‘Foi para levantar o olhar’’, dizem os amigos de PO. A tortura durou vinte minutos e, apesar de usar muita pomada anestésica, ele reconheceu:
- Nunca havia experimentado dor pior.

Cemitério de elefantes
Causa mal-estar no coração da Globo as reuniões que José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, promove todas as terças na Churrascaria Oásis, no Rio. Ali, renegados bozós globais, como Edvaldo Pacote, Luiz Eduardo Borgerth, Miguel Pires Gonçalves e outros, descem a ripa em Roberto Irineu Marinho e em Dona Marluce Dias da Silva.

Vírus de Brasília
Circulou nesta quinta-feira um sério alerta na Internet contra um vírus arrasador, que fez estragos em várias empresas e derrubou servidores no mundo inteiro. Trata-se da mensagem ‘‘Loveletter coming from me’’, com arquivo atachado, cujo script, ao ser executado, altera uma série de alterações na máquina, despachando a configuração do micro.
Pelo assunto da mensagem, do recém-adquirido prazer de ACM diante do computador e seu manifesto entendimento explícito com FHC, não faltará quem diga que o presidente do Senado é nome de hacker.

Vou para Pequim
Índio apanhando, sem-terra levando chumbo e o Brasil tendo trabalho para limpar sua imagem: o jornal francês ‘‘Libération’’ informa que turista estrangeiro têm mais chances de ser sequestrado aqui do que nas Filipinas, que ficou em terceiro lugar. O relatório é da empresa de segurança Pinkerton: houve 1.100 sequestros no Brasil em 1998, contra 3 mil na Colômbia. Em geral, diz a Pinkerton, as razões são financeiras e não políticas. Na China, o risco é mínimo.

Aposta na divisão
Enquanto o MST perde terreno político sob a acusação de exercer a porralouquice, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag) passou o dia, nesta quinta, confabulando com os ministros Waldeck Ornélas (Previdência), Francisco Dornelles (Trabalho) e Raul Jungmann (Política Fundiária). Como no caso dos caminhoneiros, o governo decidiu apostar na divisão dos movimentos oposicionistas.

PODER SEM PUDOR

Rindo por dentro
Jânio Quadro não esperava por aquilo. Estava em campanha para presidente, em 1960, quando foi a Sete Lagoas (MG) para um comício, acompanhado de Magalhães Pinto, que disputava o governo de Minas Gerais contra Tancredo Neves. Durante o comício, todos os oradores foram recebidos com ovos e vaiados. Depois a comitiva seguiu de automóvel para uma cidade vizinha. No carro do candidato, todos permaneciam calados, ainda chocados com a hostilidade.
Jânio ficou um tempão esperando que Magalhães Pinto dissesse alguma coisa. Ele desconfiava que Magalhães estava por trás das vaias e dos ovos. Até que perdeu a paciência com o impassível aliado:
- Os mineiros são terríveis. Quando não riem por dentro, riem por fora.

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