Cláudia Costin assume Administração
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quarta-feira, 24 de junho de 1998
Agência Estado 
O ministro da Administração Federal, Luiz Carlos Bresser Pereira, deixou ontem o cargo, transferindo ao presidente e candidato Fernando Henrique Cardoso a vantagem de anunciar a extensão a todo o funcionalismo, do reajuste de 28,86%, decidido pela Justiça. Bresser saiu do ministério para ser o tesoureiro oficial da campanha de Fernando Henrique e deixou no lugar a secretária-executiva da pasta, Cláudia Costin.
Bresser sai do posto depois de passar três anos e meio considerado inimigo dos servidores públicos por manter os salários congelados. A nova ministra - única mulher no primeiro escalão - recebeu o cargo numa cerimônia concorrida, no pequeno auditório do ministério, onde estiveram presentes vários senadores, deputados e ministros, entre eles, José Serra (Saúde), Waldeck Ornélas (Previdência Social), Lélio Lobo (Aeronáutica) e Gustavo Krause (Meio Ambiente). Bresser sai do ministério depois de conseguir a promulgação da reforma administrativa - uma batalha que durou quase três anos -, mas deixou para os sucessores a tarefa de regulamentar várias medidas da reforma, como a possibilidade garantida ao Estado de demitir servidores para limitar as despesas com folha de pagamento.
Com as mudanças constitucionais concluídas, Bresser considera cumprida a tarefa neste mandato. Além da reforma administrativa, ele teve também a missão de implementar a reforma do Estado. Do plano diretor para a criação de um Estado necessário e eficiente, Bresser conseguiu iniciar a adoção de algumas idéias, como a criação das organizações sociais e agências executivas idealizadas para tratar da administração pública com mais liberdade, e valorização das carreiras que formam o núcleo estratégico do Estado.
Mas a gestão foi marcada, principalmente, pelo arrocho salarial e o enxugamento das despesas da máquina administrativa. Nesses mais de três anos, o governo economizou mais de R$ 1,5 bilhão, com medidas como o controle da folha de pagamento, sem demitir funcionários. Depois de cuidar das finanças da campanha de Fernando Henrique, Bresser deverá voltar para o ministério para cumprir o mandato até dezembro.
A indicação de Cláudia, feita por Bresser a Fernando Henrique, foi uma solução natural porque ela sempre esteve afinada com as idéias do ex-ministro.
Uma reverência especial foi feita por Cláudia Costin, de 42 anos, ao convidado que se posicionou ao lado dela durante a posse - o homenageado era o rabino Henry Sobel, líder da Igreja judaica, antes de começar o discurso de posse. Filha de judeus, Cláudia converteu-se para o judaísmo recentemente, depois de se debruçar em livros e fazer um estudo meticuloso e longo sobre a religião e a cultura dos ancestrais.
Como nas questões pessoais, a ministra é criteriosa e disciplinada no trabalho: é do time que tem hora para chegar, mas nunca deixa o gabinete antes das 20 horas.
A indicação para assumir o Ministério da Administração obrigou Cláudia a adiar um sonho que nutria: conhecer a Romênia, terra natal dos pais dela. Cláudia cancelou a viagem de um mês que começaria amanhã, quando visitaria também a filha Marina, que mora nos Estados Unidos. Fica para o Natal, resolveu rapidamente.


