Para facilitar a classificação das novas bancadas dos deputados federais e estaduais paranaenses a Folha dividiu os parlamentares segundo sua atuação na vida pública. A utilização dos termos ''direita'', ''centro'' e ''esquerda'' foi escolhida principalmente pela familiaridade que a maioria dos leitores tem com os termos.
O levantamento da Folha é informal, e não leva em conta o partido dos parlamentares visto que muitas vezes eles não se pautam pelas diretrizes partidárias para votar. A sondagem foi feita ouvindo diversos deputados mais antigos e pessoas ligadas ao Legislativo. Muitas vezes, a opção por uma legenda se deve mais a conveniências políticas do que à ideologia. Boa parte já mudou de partido diversas vezes.
Embora a classificação da atuação política de um parlamentar entre direita e esquerda seja contestada por alguns cientistas políticos, a comparação ainda tem validade. ''Os conceitos permanecem válidos. Um político de esquerda preocupa-se mais com a inclusão de todos os membros de uma sociedade nos processos sociais, através de uma atuação do Estado, de maneira mais libertária. Os políticos de direita tendem a deixar a sociedade se auto-gerir, e de uma maneira geral, são mais conservadores'', explica o professor de Filosofia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emanuel Appel.
A definição do professor tem como base a origem histórica dos termos ''direita'' e ''esquerda''. Após a Revolução Francesa, em 1789, os representantes do parlamento daquele país reuniram-se para elaborar uma nova constituição. À direita do plenário ficavam os representantes da classe alta, mais interessados em manter as condições atuais da sociedade, que foram denominados de conservadores. À esquerda ficavam os representantes dos trabalhadores rurais, chamados de radicais.
Com o passar do tempo, os termos foram sendo utilizados para separar os políticos conforme sua atuação. A privatização de empresas e a flexibilização das leis trabalhistas, por exemplo, são temas associados à direita, uma vez que pressupõem a participação maior do poder privado e a diminuição das funções do Estado. (R.S.)

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