Cito volta à prisão, agora no escândalo dos uniformes
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Edson Ferreira <br> <br> Reportagem Local 
O ex-secretário de Gestão Pública de Londrina Marco Antonio Cito teve a prisão preventiva decretada ontem pelo juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Katsujo Nakadomari, que acatou pedido feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Cito, denunciado por envolvimento no suposto desvio de R$ 3,8 milhões dos cofres municipais na compra dos uniformes escolares, foi detido à tarde, quando chegava no apartamento dele na área central. O Gaeco também pediu a prisão do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT), o que foi negado pelo mesmo juiz.
Segundo o promotor de Justiça Cláudio Esteves, os dois acusados estariam tentando deixar a cidade e este foi o principal argumento apresentado ao Judiciário. ''Foram evidências que coletamos e estão bem detalhadas no pedido que fizemos, são comportamentos que demonstravam a intenção de se ausentar.''
Cito, Barbosa e mais 17 pessoas foram denunciados por corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato e fraude em licitação. Com a renúncia do ex-prefeito José Joaquim Ribeiro (sem partido), a denúncia, apresentada ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, voltou para a primeira instância. O Gaeco já havia pedido ao TJ a prisão dos três (Barbosa, Cito e Ribeiro), e também do ex-secretário Lindomar dos Santos, mas o TJ decretou apenas a preventiva de Ribeiro. Agora, por decisão de primeiro grau, Cito também foi preso.
Uma das evidências que embasaram o mandado de prisão de Marco Cito foi uma conversa entre ele e o advogado Maurício Carneiro, quando teriam falado sobre eventual fuga. Cito e Carneiro negaram. ''O Ministério Público solicitou a minha prisão em razão de uma conversa desencontrada, de que eu estaria querendo empreender fuga, mas na verdade eu estava em casa'', disse Cito. ''Tenho o direito de me defender em liberdade.'' O advogado afirmou que Cito ''às vezes viaja, presta consultoria e pode ser isso, mas eu de forma alguma orientei isso (fugir)''. Carneiro informou que apresentaria ainda hoje um habes corpus ao TJ. Cito foi levado para a Penitenciára Estadual de Londrina, onde já esteve detido por mais de dois meses por envolvimento em outro recente escândalo. Cito foi flagrado supostamente negociando a compra do voto do vereador Amauri Cardoso (PSDB) para evitar a abertura da Comissão Processante (CP) da Centronic contra Barbosa Neto.
O ex-secretário passou cerca de duas horas ontem na sede do Gaeco, no entanto, sem prestar depoimento. Segundo apurou a reportagem, houve tentativa de acordo entre Cito e os promotores para se estabelecer a delação premiada, o que acabou não acontecendo. Do Gaeco, Cito foi para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) 2. Quanto à negativa da prisão de Barbosa Neto, Cláudio Esteves comentou que iria analisar a decisão do juiz, mas eventual recurso estaria comprometido em virtude da lei eleitoral, que veda a prisão de candidatos a partir de hoje, salvo em caso de flagrante.


