O vereador Gláudio Renato de Lima (PT), que previu na quinta-feira, em plenário, a apresentação de ação judicial relativa ao caso Shirogohan, reagiu ontem com ironias à denúncia.
''Não fui pego de surpresa. A sexta-feira já é dia nacional de entrar com ações contra vereadores'', disse. Gláudio negou irregularidades e mirou no Gaeco. ''Não participei de nada, mas o modus operandi dos promotores é colocar fé pública na fala do Bonilha.'' Segundo o petista, não há nada de ilegal na lei que beneficiou a boate, mas, eventualmente, na conduta de determinados vereadores diante do projeto. ''Isso vale para os outros casos. Se não fosse assim, os promotores estariam pedindo a nulidade da lei na Justiça.''
O vereador afastado Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) disse que não votou a favor do projeto. ''Teve é muita conversa nessa coisa.'' Sobre a assinatura no parecer da Comissão de Justiça, Tamarozzi disse que foi uma formalidade. ''Assinei apenas como membro, e era um parecer legal deixando a critério do soberano plenário.'' O parecer dispensou consulta a órgãos técnicos ligados ao setor de zoneamento urbano de Londrina.
O vereador afastado Osvaldo Bergamin (sem partido) se limitou a dizer à FOLHA que ''agora, tudo que sai, eu estou no meio''.''Não tem mais o que falar, é só apanhar.''
O vereador afastado Renato Araújo (PP) também lamentou a denúncia com certa resignação. ''Fiquei surpreso, mas fazer o que? Não fui citado pelo empresário nem cometi irregularidade. Agora espero que a Justiça exclua meu nome disso.''
O vereador Renato Lemes (PRB) retornou a ligação da reportagem - e colocou seu advogado, André Arruda, na linha. ''A Justiça concedeu habeas corpus preventivo para ele. O delegado não podia indiciar, nem o promotor denunciar. Se isso se confirmar, poderemos representar contra eles criminalmente'', alegou. Na quinta-feira, o habeas corpus obtido pelo advogado foi considerado inócuo pelo Gaeco porque o indiciamento já havia ocorrido.
O promotor Cláudio Esteves disse que não faria comentários sobre as declarações de Gláudio e do advogado Arruda. ''O Ministério Público não responde a réus nem advogados por meio da imprensa.'' Os demais parlamentares citados na ação não retornaram o contato da FOLHA. (F.C.)

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