Brasília - Deputados acusados de envolvimento nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas na legislatura passada foram nomeados ontem para atuarem como titulares das principais comissões da Câmara. O caso mais emblemático é o da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), considerada a mais importante da Casa, por ter o poder de avalizar ou barrar projetos de lei antes de sua chegada ao plenário.
Neste ano, ganharam assento como titulares da comissão os petistas João Paulo Cunha (SP), José Mentor (SP) e José Genoino (SP), todos acusados de envolvimento com o mensalão. João Paulo e Mentor foram absolvidos pelo plenário. Genoino estava sem mandato na época das acusações. ''Eles foram absolvidos pelo plenário e pela sociedade, o que é mais importante. Não posso considerar a existência de deputados de primeira e segunda categoria'', defendeu o líder do PT, Luiz Sérgio (RJ).
Outros parlamentares que enfrentaram denúncias de corrupção, entre eles o ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP), também integram a comissão. Em 2005, ele ficou 40 dias preso, acusado de intimidar uma testemunha. Maluf foi denunciado por crimes de corrupção.
A polêmica na CCJ começa pelo presidente da comissão. Leonardo Picciani (PMDB-RJ), 27, foi eleito sem unanimidade - houve oito votos nulos e dois brancos. Formado há poucos anos em Direito e deputado federal em segundo mandato, ele foi criticado nos bastidores por parlamentares de diferentes partidos.
Mas o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) foi um dos únicos a assumir publicamente a contrariedade à indicação: ''A questão (em relação a Picciani) não é etária. É ética''.
Filho do presidente da Assembléia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), o novo presidente da CCJ é sócio de uma fazenda autuada por trabalho escravo em 2003 - após acordo de R$ 250 mil, a ação foi extinta. A escolha de Picciani, que hoje prometeu dar prioridade aos projetos da área de segurança pública, teve a indicação do governador do Rio, Sérgio Cabral (RJ).
Picciani não é o único integrante da bancada fluminense do PMDB a gerar polêmica. Geraldo Pudim, ligado ao ex-governador Anthony Gartotinho (1999-2002) e acusado de suposta compra de votos, também integrará a CCJ. A CCJ terá ainda ao menos cinco deputados novatos como titulares.
Segunda mais importante no ''ranking'' da Casa, a Comissão de Finanças será dirigida por Virgílio Guimarães (MG), responsabilizado por levar o empresário Marcos Valério de Souza, apontado como operador do mensalão, à ex-direção do PT.
Além disso, sua candidatura à revelia do partido culminou na vitória de Severino Cavalcanti (PP-PE) à presidência da Câmara em 2005. Também integram a comissão o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que deixou o cargo após suspeita de que ele seria o mandante da violação do sigilo bancário de um caseiro, e João Magalhães (PMDB-MG), acusado de envolvimento no esquema dos sanguessugas.

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