Citado na Lava Jato, Eunício Oliveira é eleito presidente do Senado
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2017
Débora Álvares, Daniela Lima e Marina Dias<br>Folhapress 

Brasília - O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) foi eleito presidente do Senado na noite dessa quarta-feira (1º). Confirmando as expectativas, o peemedebista recebeu a maioria dos votos, derrotando José Medeiros (PSD-MT). Seu mandato vai até fevereiro de 2019. Ele teve 61 votos, contra 10 do adversário, e outros 10 em branco.
Apoiado pelo Palácio do Planalto, Eunício assume o lugar de Renan Calheiros (PMDB-AL), que passa a ser o líder da bancada do PMDB na Casa.
Nem mesmo as acusações de ter recebido R$ 2,1 milhões da Odebrecht em troca da aprovação de uma medida provisória, conforme relato do delator Cláudio Melo Filho à Lava Jato, ameaçaram a vitória dele.
Ele nega ter recebido qualquer valor. "A MP 613. Não fui presidente da MP, não fui líder, vice-presidente, relator, não fiz uma emenda supressiva, aditiva...", afirmou em entrevista à "Folha de S.Paulo", na semana passada.
O favoritismo de Eunício foi construído desde 2015, quando ele passou a trabalhar nos bastidores para suceder Renan. Nas últimas semanas, costurou os últimos acordos, incluindo com a bancada do PT, que garantiram uma ampla vitória nesta quarta.
Em discurso anterior à votação, Eunício reforçou a importância de o Senado se manter na corrente de combate à corrupção, mas defendeu que é preciso "ser duro quando um poder tentar se levantar contra o outro".
Empresário com a segunda maior fortuna declarada no Senado, R$ 99 milhões em 2014, o senador é defensor da agenda de reformas do presidente Michel Temer, de quem se diz "amigo" e "parceiro"
Eunício, que também presidirá o Congresso e será o segundo na linha sucessória da Presidência, disse à reportagem que o Poder Legislativo deve debater com profundidade a reforma da Previdência e eventualmente rever a possibilidade, contida no texto, de que a aposentadoria integral só ocorrerá com 49 anos de contribuição. "Nada que entra aqui tem a obrigação de sair do jeito que chegou", afirmou. Mas dá sinais de que trabalhará, se necessário, para garantir o calendário do governo de aprovar a reforma nas duas Casas Legislativas ainda no primeiro semestre. "Discussão rápida não quer dizer não discussão, não debate e não modificação (no texto)."
O peemedebista tem dito que, a despeito da pauta de Temer, vai defender uma agenda de desburocratização do País e que ajude a criar um ambiente propício para os negócios. Para ele, esse debate não pode ser exclusivo do Executivo.
Mesmo como cotado para suceder Renan Calheiros (PMDB-AL) desde a recondução dele, em fevereiro de 2015, Eunício só teve sua candidatura confirmada por aclamação da bancada do PMDB na terça-feira (31) em encontro na residência oficial do Senado. Diferentemente do antecessor, que se envolveu em uma série de conflitos com o Judiciário, o peemedebista tem pregado o diálogo entre os Poderes e disse que pretende se reunir em breve com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia.
Na reta final, o PT, que rompeu com o PMDB no impeachment de Dilma Rousseff, fechou com Eunício. Para garantir espaço na Mesa Diretora do Senado, o PT acabou liberando o voto dos dez senadores. O partido deve ficar com a primeira-secretaria, indicando José Pimentel (CE).
Tesoureiro do PMDB há 14 anos, Eunício é considerado um aliado do presidente Michel Temer, mas seu histórico de oscilações preocupa aliados do presidente. O perfil conciliador e a discrição são fatores alardeados por aliados como uma característica forte e marcante que o trouxeram até aqui. (Colaboraram Isabela Bonfim e Julia Lindner/Agência Estado)


