Brasília - O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido, no sábado (27), a um procedimento para tratar repetidas crises de soluço e tudo correu bem, informou um de seus médicos. Bolsonaro passou por um procedimento de bloqueio do lado direito do nervo frênico, responsável pelo controle do diafragma.

Os médicos de Bolsonaro também afirmaram que Bolsonaro deve passar por um novo procedimento nesta segunda-feira (29), quando será tratado o lado esquerdo do nervo frênico. Os profissionais também mantiveram a previsão de alta para o dia 31 de dezembro.

Bolsonaro, que cumpre uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, saiu pela primeira vez na quarta-feira da prisão onde está desde o fim de novembro para operar uma hérnia inguinal no hospital DF Star, em Brasília, onde permanece internado.

A cirurgia transcorreu sem incidentes na quinta-feira (25), e seus médicos anteciparam que poderia ser necessário outro procedimento de menor complexidade para tratar um soluço recorrente: o bloqueio anestésico do nervo frênico, que controla o diafragma.

A intervenção foi realizada na tarde de sábado. “Foi bem bacana, deu tudo certo”, disse aos jornalistas o Dr. Mateus Saldanha.

Os médicos localizaram o nervo frênico com um aparelho de ultrassom e, uma vez que o identificaram, injetaram um anestésico no lado direito, detalhou Saldanha. Na segunda-feira, farão o mesmo no lado esquerdo do nervo.

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O procedimento durou uma hora. “Não é uma cirurgia, (...) não implica em incisões”, explicou o Dr. Claudio Birolini, que acompanha a internação do ex-presidente.

NOITE EM CLARO

O bloqueio anestésico do nervo frênico estava previsto para segunda-feira. Mas foi adiantado porque da noite de sexta para sábado Bolsonaro sofreu “uma crise de soluço muito prolongada, mais forte, que incomodou profundamente para dormir”, informou, por sua vez, o Dr. Brasil Caiado.

“A gente tem que ver como que vai ser essa resposta” ao procedimento, apontou Saldanha.

A alta de Bolsonaro permanece estimada para o início da próxima semana, segundo os médicos.

O ex-presidente (2019-2022) lida há anos com as sequelas da facada no abdômen que sofreu durante um comício na corrida eleitoral de 2018, o que exigiu várias cirurgias de grande porte.

“Já são nove meses de luta e de angústia com soluços diários”, escreveu sua esposa, Michelle Bolsonaro, mais cedo em uma publicação no Instagram.

O ex-mandatário esteve em prisão domiciliar preventiva entre agosto e novembro. Ingressou no regime fechado em 22 de novembro, alguns dias antes do previsto, após tentar danificar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.

Em setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou Bolsonaro culpado de conspirar para manter-se no poder depois de perder as eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva.

A trama golpista fracassou por falta de apoio de altos comandos militares. O ex-capitão do Exército alega ser inocente e diz-se “perseguido” pelo STF.

Assim que receber alta hospitalar, Bolsonaro deverá voltar ao quarto pequeno com frigobar, ar-condicionado e uma televisão onde cumpre sua pena, na sede da Polícia Federal em Brasília.

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