Rio - O candidato da Frente Trabalhista a presidente, Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB), disse ontem, no Rio, que precisa ''superar constrangimentos para vencer as eleições'', ao comentar a adesão do candidato a senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e as negociações entre o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e o governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB), em torno de um possível apoio à sua candidatura no segundo turno. A declaração foi dada, ao sair de um encontro na casa do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, em Copacabana.
Mais tarde, na sede do PDT, no centro, ele amenizou o discurso: ''O apoio do senador Antonio Carlos Magalhães me é muito honroso.'' Ciro justificou as alianças, dizendo que precisa obter o apoio de três quintos do Congresso para conseguir implementar o projeto de governo. ''É preciso preparar a governabilidade do País para o dia seguinte (às eleições). Nossas propostas são para conseguir soluções, mas não se viabilizam se não tivermos capacidade para manejar três de cada cinco deputados federais e senadores'', afirmou.
Ciro recusou-se a falar sobre o suporte do PPS e do PTB à candidatura do ex-presidente Fernando Collor de Mello (PRTB) a governador de Alagoas. Já o vice-presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), afirmou que não abrirá mão do apoio a Collor. ''Quem montou a aliança do PTB com o Collor fui eu. O Ciro ficou chateado, o (Leonel) Brizola ficou chateado, mas 12 anos da cassação permitem ao Collor ser julgado pelo povo e o PTB não volta atrás no apoio que emprestou à campanha'', disse Jefferson, que comparou a situação do candidato a governador de Alagoas à dos políticos que tiveram os direitos cassados durante o regime militar. ''Ele também se reabilitou.''
Sobre o pedido do candidato da Frente Trabalhista para intervenção do PPS nacional no diretório do Estado, ele limitou-se a dizer que o ''PPS é problema dele (Ciro)''. ''Não abro mão de apoiar meus amigos e temos crédito com Ciro para isso'', afirmou. Brizola amenizou o tom ao tratar de Alagoas, referindo-se à questão como ''situação regional''. Em Alagoas, Collor disputa o governo com o candidato Geraldo Sampaio (PDT), que tem o suporte de Ciro.

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