O candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, ofereceu-se ontem em Brasília para ajudar o governo a buscar uma saída para a crise financeira que, segundo ele, ‘‘vai se aprofundar, e o País terá que enfrentar uma agonia longa, sem saída a curto prazo’’. O candidato fez previsões catastróficas sobre a economia brasileira, responsabilizando o governo do presidente FHC pela situação. ‘‘Essa é a razão porque eu rompi com eles’’, explicou. ‘‘A dependêcia do Brasil ao capital externo foi produzida pela irresponsabilidade do atual governo’’.
Para Ciro, o governo deve convocar a sociedade para ‘‘uma emergência’’, além de adotar soluções agora e não depois das eleições. ‘‘E em cima da confrontação da crise, nós devemos estar disponíveis para colaborar’’, afirmou. Ciro propôs que a oposição tenha uma ‘‘atitude cooperativa’’.
O candidato não estendeu o apelo aos demais candidatos. Falou apenas no nome de Lula (PT), mas para dizer que o seu ‘‘despreparo’’ com relação ao real estimula a polarização entre ele e FHC. ‘‘Me incomoda muito ouvir certos setores da oposição comemorar esse desmantelo’’, afirmou. ‘‘Eles não sabem o que estão fazendo’’.
Ciro disse que, se a crise atingir a sua ‘‘concepção terminal’’, ele terá dificuldade em continuar almejando a Presidência. Ele disse que advertiu várias vezes ao País, pela imprensa, sobre o andamento da crise, mas não foi levado a sério. ‘‘Porém, agora não faz sentido que tenhamos uma atitude destrutiva’’, frisou. ‘‘É o nosso País e, portanto, a solução do problema exige uma ampla convergência da sociedade’’.
Ciro disse que aceitaria se sentar com os economistas do governo, mas mantendo inalterado o seu ponto de vista com relação às soluções e desde que fossem adotadas medidas que considera essenciais, como ‘‘a desmitificação do real’’. ‘‘Eu tenho o meu diagnóstico da crise e a minha proposta. Não vou me sentar na mesa para dizer amém não’’.
Segundo ele, a situação exige uma reforma tributária ‘‘modernizante’’ e não medidas paliativas, como a reforma da Previdência. ‘‘Tudo o que está aí é mentira para efeito de propaganda’’. Ele alertou que não haverá uma saída, se o governo continuar financiado a captação de dinheiro com 19% de juros para manter reservas cambiais aplicadas a 5,5%. ‘‘É como se você resolvesse tomar dinheiro de um agiota a 20% de juros para abrir uma poupança com juros de 6%’’.
No Paraná Ciro Gomes chega hoje ao Paraná, onde faz comícios em Nova Esperança (20 horas), Mandaguaçu (21 horas) e Maringá (21h30). Pela manhã, em Curitiba, ele se encontra com o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL). Depois, conversa com o ex-governador Paulo Pimentel (PFL). Ciro e o candidato do PPS ao Senado Nilton Servo querem convencer Pimentel a filiar-se à sigla, dando a garantia de que Pimentel será o candidato do partido à Prefeitura de Curitiba em 2000.
Ciro faz uma passeata pelo centro da capital até a Boca Maldita. O início da movimentação está previsto para as 14 horas. Esta é a primeira vez que Ciro visita o Paraná como candidato.
Por sua vez, Lula (PT) chega amanhã União da Vitória (PR). Concede entrevista no Hotel Holz às 10 horas, e faz comício no Calçadão às 11h30, acompanhado do senador Roberto Requião (PMDB). (Colaborou Leandro Donatti).

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