Arquivo Folha O candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes (foto), disse ontem em Fortaleza que o uso da máquina administrativa na campanha eleitoral ‘‘é inerente’’ ao processo de reeleição. ‘‘Todos já sabíamos que o instituto da reeleição seria um atraso institucional para a vida política do País. Estou impressionado como a máquina está sendo despudoradamente usada sob o patrocínio do governo federal’’, disse.
Ciro citou como exemplo de sua afirmação manchetes de jornais de Alagoas, onde esteve na semana passada fazendo campanha. ‘‘Um dia o jornal estampou uma manchete dizendo que o governador Manoel de Barros (PTB) só manteria candidatura se o Planalto liberasse R$ 130 milhões. No outro dia, a manchete dizia: senador Teotônio Vilela (PSDB) afirma que o dinheiro vem aí e que candidato pode ficar tranquilo’’, disse Ciro.
O candidato do PPS afirma que o Brasil vive um processo de oligarquização semelhante ao vivido pelo País no início do século. ‘‘Em 1930, houve uma revolução contra o processo de oligarquização representado pela política do café com leite. Estamos voltando a este tempo’’, diz. Segundo Ciro, a forma como o presidente Fernando Henrique Cardoso conduziu a formação de seu governo e de sua atual candidatura coloca-o (FHC) na ‘‘vanguarda’’ deste processo de oligarquização.
‘‘Fico assustado como setores da elite responsável deste País não conseguem perceber isto. Nenhum presidente teve o despudor de colocar em seu governo sete ministros de um mesmo Estado, tudo de sua curriola pessoal’’, disse. Ciro afirma que o principal desafio de sua campanha tem sido furar o bloqueio montado pelo governo federal para expor suas idéias. Ele disse que já visitou cerca de 300 cidades desde o início da campanha e que pretende visitar uma média de três cidades por dia até o final da campanha.
Apesar de ser paulista de Pindamonhagaba, Ciro afirma que o preconceito contra o fato de ser identificado como um político nordestino tem dificultado sua campanha. ‘‘É impressionante como extratos de estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina são preconceituosos contra os nordestinos’’, diz.
O candidato do PPS está desde sábado em Fortaleza. Ontem, ele participou de uma panfletagem na Praia do Futuro e foi à inauguração de comitês de sua campanha. No dia anterior, Ciro marcou presença no ‘‘Fortal’’, Carnaval fora de época que acontece em Fortaleza.

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