A filiação do ex-ministro Ciro Gomes ao PSB vai provocar uma divisão na frente de partidos de esquerda (PT, PSB, PDT e PC do B) na sucessão presidencial. A previsão, praticamente um veto a Ciro, foi feita ontem pelo ex-governador e presidente do PDT, Leonel Brizola, após uma reunião de mais de três horas dos dirigentes dos quatro partidos. Da reunião saiu apenas uma nota reafirmando o esforço para encontrar uma candidatura única de oposição, hipótese considerada cada vez mais difícil.
‘‘Pelo que sei, se o Ciro Gomes ingressar no PSB é porque ele terá garantia, mesmo informal, de ser candidato à Presidência da República’’, disse Brizola. ‘‘Se isso ocorrer, está feito o racha. Brizola disse ter recebido a informação do economista Roberto Mangabeira Unger, um ex-brizolista que hoje dá suporte intelectual ao ex-governador do Ceará. ‘‘Basta o ingresso dele na legenda para ficar comprovada a candidatura’’, disse Brizola.
Na reunião, com mais ênfase que os demais, Brizola cobrou do presidente do PSB, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, uma definição sobre os compromissos do PSB com Ciro Gomes. Arraes disse que Ciro será aceito no partido, mas sem garantia de ser lançado candidato. Assim mesmo, deixou uma porta aberta para a candidatura. ‘‘Até agora, não temos nenhum compromisso, mas a questão não está totalmente decidida’’, disse Arraes. ‘‘É preciso levar em conta que meu partido é heterogêneo, tem muitas correntes...
O presidente do PT, José Dirceu, ainda confia num acordo. ‘‘Arraes deixou claro que não há compromissos nem vetos, e além disso manifestou sua preferência por uma candidatura única’’, afirmou Dirceu. Mesmo desconfiado, Brizola também deu crédito ao governador de Pernambuco. ‘‘Confio no Arraes, confio que ele não permitirá a quebra da unidade da esquerda’’, afirmou. Essa quebra de unidade, segundo ele, seria inevitável com a candidatura Ciro: ‘‘Ele vem impor, mas ainda nem queimou os navios, não rompeu com o governo.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) anunciou ontem que o ex-presidente Itamar Franco assina até o final de semana a sua ficha de filiação ao PMDB. Simon contou que o ex-presidente já redigiu a carta que entregará ao partido, na qual deixa claro que sua decisão de filiar-se não implicará compromisso do PMDB de apoiá-lo em nada. Segundo Simon, Itamar Franco não impôs pré-condições por saber que o PMDB conta com outras alternativas, como José Sarney, Roberto Requião e até mesmo o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Na opinião de Simon ou Itamar é candidato à Presidência ou não concorre a nada.
Fernando Henrique e Itamar Franco iriam se reunir à noite, no Palácio da Alvorada. ‘‘Quando se conversa com o presidente da República, ele é que dá o tom’’, afirmou Itamar ao chegar ao aeroporto de Brasília. ‘‘Vamos tomar um cafezinho’’, brincou o presidente Fernando Henrique, desconversando sobre o que pretendia conversar com seu antecessor.
Itamar Franco cumpriu ontem uma longa agenda em Brasília. No hotel Nacional, onde está hospedado, ainda pela manhã, encontrou-se com o prefeito de Contagem (MG), Newton Cardoso.

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