Ciro quer 'distância' dos EUA das eleições
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quarta-feira, 03 de julho de 2002
Agência Folha 
Brasília - O presidenciável da Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB), Ciro Gomes, pediu aos Estados Unidos que mantenham ''isenção e distância'' em relação ao processo eleitoral brasileiro. A sugestão foi feita à embaixadora americana no Brasil, Donna Hrinak, com quem Ciro esteve reunido ontem de manhã em seu escritório político, em Brasília. ''Pedi o que a França ou qualquer outro país pediria aos Estados Unidos'', disse ele.
Durante a conversa, Ciro disse acreditar que a esquerda pode vencer a eleição no País e que há ''uma sadia convergência'' para o campo político centro-esquerda. As críticas em relação ao atual modelo econômico do País, segundo o candidato, ficaram de fora da conversa. ''Não falo sobre isso com estrangeiros'', justificou.
Para a embaixadora, Ciro voltou a defender uma ajuda ''fora dos manuais'' dos Estados Unidos à Argentina, que, segundo ele, não tem mais condições de aumentar o arrocho fiscal, e defendeu o adiamento da rodada de 15 de janeiro de 2003 para a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
''Quem for eleito não estará preparado, com 15 dias de governo, para discutir mudanças administrativas importantes'', disse. Segundo ele, a conversa com Hrinak foi tranquila e ela foi ''muito delicada'' com relação as colocações dele. A iniciativa do encontro partiu da diplomata americana, que já se reuniu com os presidenciáveis José Serra (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao deixar o encontro com Ciro, Donna Hrinak disse que o objetivo dos encontros é conhecer as idéias dos candidatos e ''aprender como se faz campanha no Brasil''. Ao comentar a situação econômica do país, a embaixadora disse apenas que os Estados Unidos sabem que os fundamentos econômicos no Brasil têm uma base sólida.
No início da noite, Ciro se encontrou com o presidente do México, Vicente Fox, que visita o País. ''Precisamos estabelecer relações comerciais mais profundas entre Brasil e México, que atualmente são modestas'', disse o presidenciável. Segundo Ciro, as medidas para redução tarifária entre Brasil e México, que foram assinadas ontem pelos presidentes Fox e Fernando Henrique Cardoso, são um bom começo.


