O candidato do PPS à Presidência da República em 1998 e ex-ministro da Fazenda, Ciro Gomes, sugeriu a criação de uma ampla frente de oposição chamada ‘‘Diálogo Nacional’’. A proposta foi apresentada neste final de semana, em Brasília, na reunião do diretório nacional do PPS. Essa frente suprapartidária reuniria toda a oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso e teria candidato único para próxima eleição presidencial. O candidato seria escolhido em 2001, numa prévia entre todos os filiados ao ‘‘Diálogo Nacional’’.
‘‘Se for dessa forma, abro mão de minha candidatura’’, disse Ciro Gomes. Segundo ele, a frente de oposição precisaria reunir PT, PDT, PSB, PC do B, PV, PL e qualquer outro partido que discorde da atual condução política do governo. Pela proposta, o ‘‘Diálogo Nacional’’ procuraria uma opção viável para o Brasil, com ajuda de entidades civis como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
‘‘O presidente Fernando Henrique diz que está tomando essas medidas por não ter alternativa’’, argumentou Ciro. ‘‘Por isso é preciso apresentar uma alternativa para evitar que o País quebre nos próximos quatro anos.’’
O Diálogo Nacional, segundo Ciro Gomes, é inspirado na união das oposições na Argentina. O ex-ministro lembra que na sucessão do presidente Carlos Menem a Frepaso e a União Cívica Radical - os dois principais partidos de oposição naquele país - vão lançar um candidato único pela primeira vez.
De acordo com Ciro, com a criação do ‘‘Diálogo Nacional’’ o nome do candidato para a sucessão de 2001 ficará em segundo plano. ‘‘Seja eu ou Lula, o candidato desta frente sairá transformado para a próxima eleição.’’ Ele acrescentou que apoiaria a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva se fosse ele o escolhido pela frente. De acordo com a proposta de Ciro o candidato petista teria maior chance de ser escolhido pois todos os filiados dos partidos políticos teriam a garantia de votar na prévia do ‘‘Diálogo Nacional’’ para 2002 e o PT é a legenda de maior militância no País.
Críticas O ex-ministro da Fazenda voltou a fazer duras críticas à condução da política econômica imposta pelo governo. Ele afirmou que o governo fez um ‘‘confisco da poupança’’ por via inflacionária, já que a inflação do mês passado foi superior a 4%, enquanto a rentabilidade da poupança ficou em pouco mais de 1%. Lembrou também que a perda salarial dos trabalhadores chegou a 20%.
Ciro fez uma previsão negativa para a economia em 1999. Segundo seus cálculos, se a taxa de juros cair para 22% ao ano, como quer a equipe econômica, o governo terá que pagar R$ 80 bilhões só de juros, enquanto a arrecadação total não passará de R$ 140 bilhões. ‘‘Se a taxa for mantida na casa dos 40%, pela primeira vez na história toda a arrecadação poderá ficar comprometida, o que irá gerar falta de credibilidade’’, alertou.Arquivo Folha‘‘Diálogo Nacional’’Para o candidato do PPS à Presidência da República em 1998 e ex-ministro da Fazenda, Ciro Gomes, frente de oposição precisaria reunir PT, PDT, PSB, PC do B, PV, PL e qualquer outro partido que discorde da atual condução política do governoAgência Estado

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