O pré-candidato à Presidência da República pelo PPS, Ciro Gomes, propôs ontem em Foz do Iguaçu uma ampla aliança de centro-esquerda com vistas às eleições de 2002. Após o anúncio recente do apoio do PTB, o pré-candidato quer aprofundar a crítica ao modelo instalado pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ciro Gomes destacou que tem se dedicado a visitar o Brasil nos últimos seis anos, para tentar ‘‘construir um amplo movimento que una a oposição brasileira.’’ Ontem ele esteve em Foz do Iguaçu participando de um encontro de vereadores paranaenses.
Questionado se estaria irredutível quanto a comandar a chapa para a Presidência, Ciro disse que não há intransigência, mas lembrou que não é ‘‘a Madre Teresa de Calcutᒒ. ‘‘Tenho justas pretensões, represento uma idéia e não vou abrir mão dela. A qualidade do caminho que será trilhado até o ano que vem é que vai definir quem será o representante deste modelo alternativo para o Brasil’’, disse ele, procurando não criar polêmica.
Em relação ao nome que será indicado para vice, o pré-candidato desconversou e não comentou a possibilidade do senador tucano Alvaro Dias ocupar a vaga. ‘‘O nome do vice será escolhido na última hora, porque é natural no presidencialismo que a chapa se conclua somente na iminência das convenções nacionais’’.
Se não houver uma grande união de centro-esquerda, na opinião de Ciro Gomes, o resultado das eleições de 2002 será o mesmo de 1990, 1994 e 1998. ‘‘Respeitando o Lula como eu respeito, eu proponho que desta feita ele compreenda que o Brasil mudou profundamente, e isso exige da oposição uma atitude mais generosa, mais aberta e de unidade.’’
O presidenciável pregou mudanças profundas no País, porém ‘‘sem derrubar o Fernando Henrique Cardoso’’. Para ele, as áreas que necessitam de atenção mais urgente são economia, educação, emprego, energia elétrica, industrialização e segurança.
Segundo Ciro Gomes, no ano passado o Brasil arrecadou R$ 138 bilhões e investiu apenas R$ 8 bilhões. Em compensação, R$ 86 bilhões foram destinados para o pagamento de juros da dívida externa. ‘‘Trata-se de escolher a que senhor se quer servir. Como está na Bíblia, não se serve a dois senhores’’.
O quadro atual de denúncias no Congresso Nacional foi definido por ele como ‘‘desagradável e potencialmente perigoso’’. Para o pré-candidato, ‘‘se a população começa a acreditar que a política virou um pardieiro, aonde não há espaço para a vida honesta e para a inteligência e que tudo se trata de um ajuntamento de pilantras, isso se torna um componente muito constrangedor para a democracia.’’

mockup