Ciro promete criar novo vetor político
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Paulo Mota Agência Folha 
O candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, disse ontem em Fortaleza que, qualquer que seja o resultado das eleições, vai lutar para construir um novo vetor político capaz de tirar o País da crise econômica em que se encontra. Segundo Ciro, esse novo vetor não passa necessariamente pela fundação de um novo partido, mas pela criação de um campo capaz de aglutinar lideranças que estão insatisfeitas nos partidos com perfil de centro-esquerda.
Ciro diz que o balanço de sua campanha é satisfatório e que conseguiu se colocar como uma alternativa ao governo e à oposição petista. Eu diria que eu consegui abrir uma vereda na política brasileira, apesar dos enormes obstáculos colocados na minha frente, disse.
Segundo Ciro, o esquema de poder do presidente Fernando Henrique Cardoso agiu deliberadamente no sentido de interditar o debate sobre a sucessão. A novidade é que esta estratégia covarde contou com o apoio de amplos setores da mídia e da elite empresarial do país, disse Ciro.
O candidato do PPS prevê que o Brasil vai sofrer uma recessão brutal no próximo ano e não poupou críticas a FHC. Este professor vai passar para história como o homem que quebrou o Brasil, disse. Ciro considerou o acordo feito ontem entre o governo brasileiro e grupos que compraram empresas do Sistema Telebrás como um escândalo. O governo vendeu nossas empresas a preço de banana e agora torrou R$ 600 milhões para empurrar a crise com a barriga, disse.
Pelo acordo, o governo vai pagar 11,875% de juros ao ano, para obter, antecipadamente, R$ 3,885 bilhões referentes à dívida dos compradores de empresas do Sistema Telebrás. As declarações de Ciro foram dadas durante almoço promovido pela Associação de Jovens Empresários do Ceará, em Fortaleza.


