Ciro pode ser denunciado pelo MPF
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sexta-feira, 02 de novembro de 2001
Carmen Pompeu<br>Agência Estado - De Fortaleza 
O Ministério Público Federal (MPF) pretende denunciar a gestão do presidenciável Ciro Gomes (PPS) no comando do Banco do Estado do Ceará (BEC). Após propor, em junho deste ano, ação penal contra a gestão do governador Tasso Jereissati (PSDB), também presidenciável, o procurador da República, José Gerim Mendes Cavalcante, recebeu do Banco Central uma lista com outras 19 empresas que teriam sido beneficiadas com operações irregulares do Banco do Estado do Ceará (BEC). De acordo com o procurador, algumas dessas operações teriam ocorrido entre 1991 e 1994, quando Ciro era governador do Ceará.
No dia 10 de julho deste ano, Gerim Cavalcante recebeu um documento assinado pela diretora do Banco Central (BC), Tereza Grossi, com novas denúncias. Cavalcante estuda a possibilidade de, ao invés de um adendo, propor uma segunda ação. ''Desta forma os dois processos poderiam correr em paralelo e com maior rapidez'', argumentou.
O procurador adiantou o nome de apenas uma dessas 19 empresas que teriam sido beneficiadas com operações irregulares: a Yamacon Nordeste. De origem asiática, a empresa se instalou no Ceará em maio de 1993. Foi uma das primeiras a ser atraída pela política de incentivos fiscais que estava começando no Nordeste. Lançou um pólo industrial em Acarape, a 60 quilômetros de Fortaleza, e também montou unidades nos municípios de Sobral, a 230 quilômetros de Fortaleza. Em 1995, já no primeiro ano do segundo governo de Tasso, começaram a surgir na imprensa cearense notícias sobre a falência da empresa.
Assim como Tasso, Ciro também não deverá ser processado criminalmente pelo MP. Isso porque, de acordo com o procurador, a responsabilidade deles seria apenas política e não jurídica.
Em relação à gestão Tasso, a Procuradoria pediu ao Judiciário que requisitasse à direção do BEC, administrado pelo Banco Central desde 1998, uma série de 36 processos de operações financeiras consideradas irregulares. Os empréstimos, segundo a denúncia, haviam beneficiado empreiteiras que doaram recursos para a campanha de Tasso em 1994, quando ele se elegeu para o segundo mandato e parentes de diretores do BEC.
A ação contra a gestão Tasso (95-98) tramita desde o dia 25 de junho deste ano, na 11 da Justiça Federal. Na segunda-feira, a partir das 13 horas, a Justiça começa a ouvir os ex-diretores do BEC, Elfio Rocha Mendes, Eliardo Ximenes Rodrigues, José Domingos Sousa Filho e Maria Aurilene Cândido Martins. Na sexta-feira, será a vez de José Monteiro de Alencar (ex-presidente do banco entre 95 e 98), Ana Lúcia Castro Coelho e Pedro César Tavares Neto. Todos foram citados como réus pela prática de crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Tasso tem declarado que não teme as investigações.


