Agência Estado

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Meia volta, volver!Ciro em campanha no Saara: mudança de idéia um dia depois de dizer que poderia ser vice de Itamar FrancoO virtual candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, recuou ontem da intenção de ser candidato a vice-presidente na chapa com o ex-presidente Itamar Franco (PMDB). ‘‘O que eu posso dizer é que vice eu não serei, em nenhuma hipótese’’, declarou no Rio antes de um corpo a corpo nas ruas do Saara, região de comércio popular no centro da cidade.
Ao lado do presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), ele fez campanha pelas ruas do Saara, cumprimentou comerciantes e populares e reafirmou que é candidato à Presidência. O ex-ministro da Fazenda, no entanto, voltou a admitir que não será ‘‘obstáculo’’ para a formação de uma frente de oposição ao governo Fernando Henrique e que pode sair da disputa para apoiar a candidatura de Itamar ou de um outro nome de centro-esquerda.
‘‘Sou candidato a presidente da República até a hora que uma pessoa mais qualificada do que eu me substitua’’. Ciro disse ainda que pode propor ao seu partido apoiar uma chapa formada por Itamar e Luiza Erundina, do PSB, desde que a coligação esteja ancorada num programa de governo afinado com as propostas do PPS. Ciro Gomes pode se reunir hoje com o ex-presidente, que estará no Rio.
Segundo o candidato do PPS, o que dificulta neste momento a união das forças políticas em torno do nome de Itamar é o futuro incerto do PMDB. ‘‘Hoje, ele (Itamar) está mergulhado numa crise de seu próprio partido, que está dividido entre o apoio ao governo ou não’’.
Em campanha pelo centro do Rio, Ciro defendeu a reavaliação de algumas privatizações e classificou de ‘‘tragédia’’ os serviços na área de energia elétrica no Rio que eram controlados pelo Estado e agora estão nas mãos da iniciativa privada.
Adotando um discurso semelhante ao do ministro das Comunicações, Sérgio Motta - que na sexta-feira declarou que a Light e a Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio de Janeiro (Cerj) são uma ‘‘vergonha para o programa de privatizações do governo federal’’ -, o ex-ministro afirmou que o carioca está ‘‘pagando caro’’ pelo caos dos serviços desestatizados. Segundo ele, o Estado não deve retomar o patrimônio que foi privatizado, mas fiscalizar os serviços.

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