O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, pré-candidato do PPS à Presidência da República, admitiu ontem que o anúncio do pacote fiscal, com medidas consideradas impopulares, pode beneficiar sua candidatura. Gomes critica há meses os ‘‘desequilíbrios’’ do Plano Real. Segundo ele, o presidente Fernando Henrique Cardoso adotou medidas que prevêem contenção de gastos e demissão de servidores públicos como o último recurso antes da desvalorização do real. O ex-ministro aposta que o ajuste cambial acontecerá depois das eleições presidenciais.
Ciro disse que Fernando Henrique não tem ‘‘muita moral’’ para falar em nome dos mais pobres, porque ele criou o Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer) e permitiu que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abrisse uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para empresas recomprarem suas ações em bolsa em razão da crise financeira.
A declaração do ex-ministro foi em resposta às críticas de Fernando Henrique contra os que se opõem ao aumento do Imposto de Renda de pessoa física. Para ele, o governo está socorrendo empresas que perderam dinheiro nas negociações de ações em bolsa e prejudicando a população. ‘‘Quando elas (empresas) estavam ganhando, elas deram algumas coisa para o povo?’’, questionou após participar de um debate com o senador Roberto Freire (PPS-PE) e com sanitaristas e médicos no Hotel Glória para eleboração de um programa de governo.
Segundo Ciro, o presidente Fernando Henrique não precisa ficar preocupado com as críticas de aliados, entre eles o senador Antônio Carlos Magalhaões (PFL-BA), ao aumento do Imposto de Renda, pois querem apenas ‘‘barganhar’’ em troca da aprovação da proposta no Congresso. O ex-ministro afirmou que ACM é daqueles políticos da ‘‘velha guarda’’ que buscam eternamente valorização para depois negociar apoio. ‘‘Toda rebeldia se exaure na próxima negociação fisiológica.’’

mockup