Brasília - Favorável às negociações com o PFL, o pré-candidato do PPS à presidência da República, Ciro Gomes, ganhou ontem carta branca para articular um eventual acordo eleitoral com pefelistas. Em reunião da frente que sustenta a pré-candidatura do PPS, dirigentes do PDT e PTB –os parceiros na coligação– decidiram dar força total a Ciro Gomes, isolando o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), que insiste em repudiar a aliança com o PFL.
Ciro garantiu que vai conversar com pefelistas e com outras diferentes vertentes da política brasileira, mas ressaltou que um acordo com o PFL ainda está no campo das ‘‘especulações’’. ‘‘É evidente que um candidato que se prepara para governar o País tem de ter a capacidade de estar aberto a conversar com quaisquer forças interessadas em discutir nosso programa de governo’’, afirmou Ciro ao lado de Freire, dos presidentes do PDT, Leonel Brizola, e do PTB, deputado federal José Carlos Martinez (PR).
As negociações informais com integrantes do PFL já começaram. Anteontem, por exemplo, Brizola esteve com o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), que pode apoiar o pré-candidato ao governo do Estado, Jorge Roberto da Silveira (PDT). Ontem, Ciro recebeu novas sinalizações do PFL. Defensor das negociações com o PPS, PDT e PTB, o deputado Roberto Brant (PFL-MG) reafirmou que há vários integrantes do PFL dispostos a fechar um acordo com Ciro. ‘‘Mas, se Freire continuar agredindo o PFL, ficará mais difícil a aliança’’, ressaltou.
Para evitar danos à sua candidatura, Ciro teve a preocupação de buscar o fim dos desentendimentos com Freire. Disse que o dirigente do PPS não saiu enfraquecido do encontro e garantiu que sua vaga no conselho político da campanha está mantida.
Em tom menos conciliador, Brizola declarou: ‘‘Quem fala pela frente trabalhista é o candidato’’. Mais cauteloso, Freire evitou comentar declarações dos pedetistas. Afirmou apenas que mantém suas considerações sobre o PFL. ‘‘O PFL não soma.’’

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