Ciro Gomes faz ameaças veladas a Serra
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quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O candidato a presidente da República pela Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB), Ciro Gomes, disse ontem em entrevista à imprensa, que tem conhecimento ''de todas as graves questões que ficaram por aí'' da vida do seu adversário José Serra, candidato pela coligação PSDB-PMDB. Ele afirmou, no entanto, que não utilizará esse conhecimento para atacar o tucano. ''Eu tenho Ricardo Sérgio, Bierrenbach, eu tenho quilhões. Conheço o Serra de mil anos'', ressaltou Ciro. ''Mas o que é que isso acrescenta à educação política do país? O que isso acrescenta à qualidade da democracia?'', indagou.
Segundo o candidato, ''por uma questão de ética, de sua natureza'', ele não rebateu imediatamente aos ataques sofridos do programa tucano no horário eleitoral gratuito. ''Acho desagradável entrar na casa das pessoas com insulto'', afirmou, referindo-se aos programas de rádio e televisão.
De acordo com Ciro, Serra fez esses programas de campanha sem assinar. ''O que mostra inclusive outro expediente que não é propriamente sério: ataca sem assinar, sem assumir a responsabilidade pelo ataque'', acusou. Ciro disse ainda que, por ter responsabilidade, por vezes vira a outra face. ''Num dado momento da campanha, quem me atacou foi o Garotinho (PSB). Eu dizia: 'Senhor, perdoai. Ele não sabe o que está dizendo'. Para ele (Garotinho), viro a outra face, porque conhece um pouco mais de perto o que estou querendo dizer'', afirmou o candidato, citando preceito bíblico, em referência ao fato de Garotinho ser evangélico.
Ciro questionou o comportamento de José Serra e a maturidade do tucano para governar o País. ''Como posso querer ser presidente do País, no meio de uma crise profunda como essa, semeando ódio contra adversários?'', disse, referindo-se a Serra. ''Como vai governar no dia seguinte que for eleito? Ele (Serra) que responda essas perguntas. Detonou Roseana Sarney (PFL-MA) com dossiês, detona e quer me agredir também, e daqui a pouco o Lula que espere'', comentou. ''Isso vale?'', indagou Ciro.
Na avaliação do candidato, a campanha tem fases de dissabores que exigem equilíbrio. ''Os militantes se aborrecem, eu sei. Pelo gosto do militante mais entusiasmado, iria logo à goela, ou de preferência na canela sem proteção, com as travas da chuteira. Mas não é assim que se faz'', ponderou.


