Ciro Gomes diz que só conversa com o PMDB no segundo turno
Albari RosaGomes: postura pós Plano RealO pré-candidato do PPS à presidência da República, Ciro Gomes, descartou ontem, em Curitiba, qualquer possibilidade de composição com o PMDB até o primeiro turno das eleições. Acompanhado do presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, o ex-ministro disse não abrir mão de sua pré-candidatura à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), nem mesmo que a tese de candidatura própria, defendida pelo ex-presidente Itamar Franco, seu amigo pessoal, saia vitoriosa no encontro extraordinário do PMDB deste domingo. No segundo turno, a conversa é outra, ressalvou o ex-ministro, já lembrado como um vice viável de Itamar numa eventual campanha própria do PMDB.
Esta convenção do PMDB não vai dar em nada. Quem perder vai questionar a legitimidade do encontro, observou Ciro Gomes, ao comentar o acirramento entre os governistas e defensores de candidato próprio. Em campanha, o pré-candidato do PPS aposta num racha do PMDB nas eleições 98. O PMDB vai dividido, reforça o ex-ministro, defensor de uma aliança de centro-esquerda que englobe setores do PMDB, do PSDB e do PDT.
Ciro Gomes chegou ontem ao Paraná, por volta 6 horas da manhã, para iniciar uma romaria de três dias por Curitiba, Cascavel, Ponta Grossa, Londrina e Maringá. Ele desembarcou no Paraná defendendo uma proposta que intitulou de pós-Plano Real. Segundo ele, há necessidade de se dar uma continuidade ao plano implantado pelo presidente Fernando Henrique. A estabilidade econômica depende de uma poupança interna sólida. A nossa moeda não pode depender da agiotagem externa, discursou o ex-ministro da Fazenda. Segundo ele, a população precisa saber que existe um candidato (ele) alternativo e que pretende dar continuidade ao Plano Real, mas sob uma outra ótica, segundo ele mais responsável.
Sair do anonimato para colocar-se como um candidato de peso na sucessão presidencial é o principal objetivo da viagem de Ciro Gomes ao Estado. Ele pretende percorrer, até outubro, as 150 maiores cidades do País. Segundo sua assessoria, ele já visitou mais de 40 cidades. A estratégia do PPS é apresentar o pré-candidato e suas propostas para eleitores em potencial.
O senador Roberto Freire disse estar otimista com a performance do pré-candidato. Numa pesquisa publicada dia desses, o Ciro apareceu como conhecido por 30% dos entrevistados, dos quais 9% o apóiam. E isso é um excelente resultado, comentou.
Para Freire, mais que uma chapa adversária à do presidente Fernando Henrique, o PPS costura uma aliança com PSB e PV, que pode vir a ser novo pólo da esquerda no Brasil. Temos divergências com o PT. Não somos daqueles que negam tudo ou são contra tudo. (L.D.)





