O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes rebateu os comentários do presidente nacional do PT, José Dirceu, que o comparou ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. ‘‘Não se trata de radicalização do discurso, mas de uma desonestidade pessoal’’, disse Ciro Gomes ontem, em Santos (SP), onde realizou uma palestra.
Ciro Gomes protestou contra os recentes ataques que tem sofrido, incluindo uma resposta ao presidente Fernando Henrique Cardoso: ‘‘Do lado de lá, dizem que sou um bicho-papão e, de cá, dizem que sou o novo Collor.’ ‘‘É um inferno’’, reagiu. Ele rebateu questionando: ‘‘A quem estou incomodando? Por que estou incomodando?’
‘‘Eles sabem que eu tenho uma diferença substantiva e absoluta em relação ao fenômeno Collor’’, continuou referindo-se ao PT, e afirmando ter 14 anos de mandatos seguidos, aprovados pela população. Ciro Gomes disse que seu sigilo bancário e suas declarações de renda são ‘‘públicos’’.
O ex-ministro diz aceitar o comentário de Dirceu ‘‘por humildade’’, mas que ficou incomodado. ‘‘Trata-se de um juízo oportunista pessoal; nunca me foi feito nessa longa relação que tive com eles, que partem agora para a agressão.’ O ex-ministro considera que, como a legislação eleitoral prevê o segundo turno nas eleições presidenciais, a oposição terá de se unir, e esse tipo de ataque pode prejudicar o relacionamento. ‘‘No Ceará, quando a gente é pequeno, aprende que para pegar uma galinha, não se diz xô.’
Ele pediu calma ao PT. ‘‘Com calma, tudo se resolve, e não estou querendo usurpar a liderança de ninguém, só ajudar.’ Segundo ele, o fato de Lula não apoiá-lo ‘‘é chover no molhado’’. ‘‘Nunca tive a veleidade e a ilusão de achar que o PT fosse, de repente, abandonar todos seus direitos, sua trajetória, sua história, seus compromissos e sua visão corporativista dos problemas para apoiar um camarada que estava contra eles em 1994.’
Lula O virtual candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem, em Fortaleza, que idéias defendidas pelo ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS) o afastam da frente de oposição à candidatura de Fernando Henrique Cardoso em 98. Segundo Lula, Ciro apóia as privatizações, combatidas pelo PT, e propõe a modernização administrativa que, segundo o petista, significa demissão de pessoal. Para o líder do PT, é imprescindível em 98 uma frente política que se contraponha a Fernando Henrique. Por isso, acha difícil uma aliança com o PPS. Lembra que um dos representantes do partido, o ministro Raul Jungmann, ocupa o ministério da Reforma Agrária, ‘‘sem fazê-la’’.

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