Patrícia Zanin
De Curitiba
O vice-presidente nacional do PPS e ex-ministro Ciro Gomes disse ontem em Curitiba que a demissão de Clóvis Carvalho foi resultado de uma ‘‘rotina desagradável’’ no Palácio do Planalto e reflete a ‘‘mistificação virtual’’ nos ministérios. ‘‘O presidente tenta enganar, mas, na prática, os ministros trabalham com receituário implantado de fora para dentro. Quem tem de promover o desenvolvimento não é um ministério e sim o governo’’, defendeu.
Ciro, que falou à Folha antes da definição do nome de Alcides Tápias para o ministério, desqualificou a função da pasta do Desenvolvimento e lembrou que em oito meses de existência, Carvalho foi o segundo titular, depois de Celso Lafer. ‘‘O outro nem chegou a tomar posse’’, lembrou, numa referência ao ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, para quem, originalmente, o ministério teria sido criado. Ele diz que a composição do ministério reflete uma ‘‘impertinência absoluta’’, de condutas inconciliáveis e de rumos distintos. ‘‘Uma nau sem rumo’’, disse.
Na sexta-feira, Ciro defendeu a saída do ministro da Fazenda Pedro Malan, mas ontem evitou ser ácido. Na sua avaliação, a demissão de Carvalho não fortalece Malan nem a política econômica. ‘‘Ele é um pacífico executor de uma política vigiada pela infantaria do FMI. Não formula, não contesta. Só executa’’.
De acordo com o ex-ministro da Fazenda, o FMI não permite o crescimento do Brasil. O projeto de governo que começa a ser discutido pelas oposições prevê a transição do que Ciro chama de modelo de falência para um sistema que privilegie a negociação de um novo perfil da dívida do País. ‘‘A dívida interna estourou de R$ 61 bilhões quando FHC assumiu para R$ 408 bilhões, em apenas quatro anos. O problema ficou grande demais. Só este ano o País terá de pagar juros de R$ 100 bilhões, consumindo todos os impostos na conta dos juros’’, disse.
A proposta de Ciro consiste no controle de remessas de capitais brasileiros para o exterior, além da criação de um modelo tributário simplificado com apenas cinco impostos (de valor agregado, outro que incidiria sobre a diferença entre a poupança e o consumo, o terceiro sobre heranças e doações, seletivo e sobre propriedade).
Segundo Ciro, as novas medidas desonerariam a produção e criariam uma cultura de poupança para substituir a especulação. Um novo modelo previdenciário também está previsto, com a contribuição incidindo sobre o faturamento líquido das empresas. Na opinião do ex-ministro, é preciso rever não só o problema da despesa na Previdência, mas também a receita, além de ampliar o combate à corrupção e à malversação de verbas.
Além de Curitiba, Ciro Gomes também visitou ontem Maringá e Cascavel. Hoje ele estará em Cornélio Procópio, Toledo, Guarapuava e Irati, para discutir a proposta do partido com lideranças e fazer novas filiações.

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