Ciro Gomes defende saída de Malan
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes defendeu ontem a saída do ministro da Fazenda, Pedro Malan, que ameaçou deixar o cargo caso os governistas continuem insistindo na hipótese de impor um projeto populista de desenvolvimento que possa comprometer a estabilidade econômica. Ciro acredita que o governo não vai abrir mão de promover uma bolha de crescimento agora para tentar reverter os baixos índices de popularidade e, ao mesmo tempo, dar uma resposta à oposição que insiste na renúncia do presidente Fernando Henrique.
Ele (Malan) deve arrumar as malas porque esse governo está determinado a promover esta bolha de crescimento, afirmou. Segundo Ciro, o governo está enchendo o mercado financeiro de títulos com correção cambial, que simplesmente estatizam a dívida pública e transportam para o Tesouro o risco de uma pressão real no câmbio, dados os desequilíbrios estruturais pelos quais o País está passando.
O ex-ministro participou do último dia da 17ª Conferência Nacional dos Advogados, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele e o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT) foram convidados para falar sobre o processo de globalização. Ao contrário de Ciro, Genro mostrou-se favorável às declarações de Malan, mas ressaltou que, primeiro, gostaria de saber qual é a visão real do ministro da Fazenda sobre populismo.
Na verdade, o que o Pedro Malan tem mostrado até agora é que qualquer processo de distribuição de renda é populismo, o que eu desacordo frontalmente, afirmou o ex-prefeito. Não se trata de defender qualquer tipo de bolha econômica; sou a favor da mudança do modelo econômico porque, sem isso, qualquer medida distributiva é meramente eleitoreira e demagógica.
Ciro agradeceu ao governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), por ter lembrado recentemente que o nome dele poderá se transformar num dos favoritos para a sucessão presidencial de 2002. É um reconhecimento de um amigo, um traço de generosidade, disse. Mas acho que o Tasso é, sim, um grande quadro para qualquer empreitada, inclusive para a Presidência.





