Ciro Gomes avisa que não admite apoio de Collor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de agosto de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O candidato da Frente Trabalhista (PPS-PTB-PDT), Ciro Gomes, disse ontem, que não pediu, não recebeu e que não tem nada a ver com a manifestação de apoio que recebeu do ex-presidente Fernando Collor de Mello, candidato ao governo de Alagoas pelo PRTB.
''Isso é uma tentativa de vingança dele (Collor) porque eu votei em Covas no primeiro turno de 89, no Lula no segundo turno, e lutei contra ele na linha de frente pelo impeachement'', disse o candidato.
Ciro recusou também ter sua imagem comparada a de Collor. ''Não sou parecido com ele e isso é motivado por sermos de uma mesma geração, que teve o fracasso de Collor, por termos governado ainda jovens estados nordestinos, embora eu tenha nascido em Pindamonhangaba (SP) e ter construído minha vida pública no Ceará'', justificou.
''Fui governador, prefeito de Fortaleza, deputado por duas vezes, ministro da Fazenda e candidato a presidente em 1998 e nunca se levantou nenhuma mancha contra mim. Eu não aceitei nem mesmo aposentadoria pelos cargos que exerci'', complementou, enfatizando, que essa era mais uma tentativa de estigmatizá-lo.
Irritação - O candidato da Frente Trabalhista voltou a demonstrar certa irritação diante do questionamento sobre a mudança de opinião em relação ao ex-senador Antonio Carlos Magalhães e ao ex-governador Leonel Brizola. E procurou minimizar as já conhecidas declarações sobre eles. ''Qual é a questão que se põe de incoerência, em que se tem uma vida pública extensa com mil contextos, em que você converge em 90% das situações e diverge em 10% ou 20% e, agora, vai provar que é uma incoerência, uma contradição?'', indagou.
E diante da pergunta sobre a eventual participação do PFL no governo Ciro, o candidato garantiu não ter nenhum compromisso desse tipo. ''Isso aqui está parecendo um interrogatório, uma inquisição. Eu não tenho compromisso de cargo com ninguém, nem com o meu partido, nem com os aliados.''


