Cesar AugustoPara poucosCiro Gomes: das 700 pessoas convidadas para ouvir o candidato, apenas 70 compareceramO candidato a presidência da República pelo PPS Ciro Gomes acusou a ‘‘parte egoísta’’ da elite brasileira e a máquina da propaganda de tentar transformar as eleições deste ano numa jogada entre ‘‘o milagreiro solitário do Real’’ (referindo-se ao presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem chama de ‘professor Cardoso’) e ‘‘o inimigo satânico do Real’’ (referindo-se a Lula). As declarações foram feitas anteontem em Londrina, uma das seis cidades do Estado visitadas por Gomes em três dias.
Apesar da tentativa do comando estadual de aproveitar a vinda de Gomes para a divulgação do perfil e das propostas do candidato, o resultado ficou aquém do esperado. Das 700 pessoas convidadas para o jantar por adesão no buffet que leva o sugestivo nome de ‘‘Planalto’’, apenas 72 compareceram. Durante entrevista coletiva antes do jantar, Gomes discutiu com um jornalista por quase 15 minutos e chegou a mandá-lo ‘‘calar a boca’’. (ler texto abaixo)
O presidenciável irritou-se com perguntas sobre a parte logística da campanha e com o fato de o jornalista ter insistido em saber detalhes sobre a utilização de um jatinho particular na visita dele ao Paraná. Segundo o comando estadual do PPS, o jato pertence ao empresário Guido Ceccatto Filho, de Curitiba.
Ciro Gomes também demonstrou grande incômodo com perguntas relacionadas a sua semelhança com o ex-presidente Fernando Collor. Nestes casos, ele reagiu com rispidez. ‘‘O que é igual é que eu tenho dois buracos no nariz. Não compara não, pelo amor de Deus que isso me ofende’’.
Gomes se auto-define como uma ‘‘alternativa pós-plano Real’’. Repetindo números e com um discurso afiado, ele diz que, se eleito, pretende começar com uma reforma no modelo tributário que eleve a receita pública e desonere a produção e a renda. ‘‘Um sistema tributário novo, moderno, com cinco tributos, que desloque o peso do financiamento sadio do Estado para o consumo e para a apropriação especulativa de capital e propriedade’’, discursa.
Ele também propõe o que chama de ‘‘profunda’’ reforma patrimonial, renegociação do prazo da dívida mobiliária e o que classifica de um ‘‘novo paradigma da política brasileira’’, com um estado parceiro da iniciativa privada. Na área social, Gomes pretende usar sua experiência como prefeito de Fortaleza e governador do Ceará, premiado por órgãos internacionais pelo trabalho de combate à mortalidade infantil, para ampliar o trabalho no resto do País, além de aumentar o financiamento do custo-aluno na educação de R$ 147,00 para R$ 300,00 por ano. ‘‘E sugiro a leitura do livro ‘O próximo passo: uma alternativa prática ao neoliberalismo’, onde todas essas idéias estão especializadas’’. O livro é de sua autoria e foi lançado no ano passado.

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