O ex-ministro Ciro Gomes afirma, em carta aberta enviada ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que este agiu com ‘‘uma clara leviandade’’ ao tentar levantar suspeita contra ele, Ciro, no período em que este foi governador do Ceará. Ciro coloca à disposição do presidente, na carta aberta, a quebra do seu sigilo fiscal e bancário e pede que ‘‘em nome da nossa dignidade pessoal, sua e minha, que mande rever’’ a prestação de contas referente à construção da obra do Canal do Trabalhador.
Anteontem, por meio do porta-voz Georges LamaziSre, FHC lembrou os rumores de irregularidades envolvendo esta obra do governo Ciro Gomes. Na carta a FHC, Ciro afirma: ‘‘Todas as prestações de contas relativas a esta obra e ao meu período de governo foram aprovadas sucessivamente pelo Tribunal de Contas do Ceará, pelo TCU (Tribunal de Contas da União), pela Assembléia Legislativa do Estado, por unanimidade’’.
Ciro ressalta, na carta, que nunca foi chamado a responder em uma CPI e que em relação as ações de seu governo, nenhuma foi requerida. Ele afirma que vai continuar sendo um adversário ‘‘leal’’ do governo e que apesar dos últimos desentendimentos, não pretende apoiar a CPI do caso Eduardo Jorge proposta pela oposição.
Ontem à tarte, o porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre, leu nota afirmando que ‘‘causou estranheza ao presidente a reação do candidato Ciro Gomes’’. Segundo LamaziSre, ‘‘não caberia da parte de Ciro Gomes qualquer defesa de seu passado. Por isso, não vê o presidente razão para reação tão descabida’’.
O porta-voz completou: ‘‘Cabe menos ainda, ao ressalvar a honradez pessoal do presidente, a voltar a utilizar insinuações malévolas contra programas, como o Proer, que fortaleceu o sistema financeiro nacional, ou contra ações que não ocorreram, como no caso do Denatran -que não fez contrato algum por intermédio dos assessores da Presidência. As demais insinuações são tão inverídicas e inconsistentes quanto as duas acima exemplificadas’’.

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